Especial
Política de Comunicação, uma questão vital
por Redação Liderança
06/2009
Há um conhecido caso no futebol brasileiro, muitas vezes atribuído a Mané Garrincha: no vestiário, o técnico falava, demonstrava as jogadas, explicava, esmiuçava as situações do jogo que começaria em breve. Ao terminar a preleção, perguntou se havia alguma dúvida. Garrincha lascou: “só uma. Vocês já combinaram essa tática com o adversário?”.
Nas empresas, o problema é pior. Além de não se comunicar com os adversários, muitas vezes as empresas não se relacionam entre si. Elas acham sempre que já sabem lidar com comunicação ou que a comunicação interna não é importante, quando na verdade ela é fundamental, diz Amaury Pontieri, gerente de comunicação do HSM Group. “Muitas vezes não há a comunicação entre diretoria e os níveis hierárquicos mais baixos, o que acaba gerando ‘eminências pardas’ nas empresas, com poderes e opiniões paralelas”, diz Pontieri. É uma receita ao fracasso de qualquer equipe.
Regis McKenna, autor de Acesso Total – O novo conceito de marketing de atendimento, presente na recente Expo Management World, promovida pela HSM em São Paulo, falou sobre o assunto para Liderança & Supervisão.
Para McKenna, os líderes precisam considerar a comunicação – tanto interna como externa – como parte integrante da estratégia e missão da empresa. Para o respeitado autor, essa comunicação é uma das únicas ações que podem diferenciar uma empresa: “a terceirização vai continuar e, com isso, a busca por fazer produtos cada vez mais baratos. Mas isso tem um limite. Ao mesmo tempo, não há tecnologia que não possa ser imitada ou aprimorada. Além disso, há o problema da mídia. Redes de televisões e mídias tradicionais em geral tendem a aumentar o preço de seus anúncios, enquanto a pressão da concorrência impede que produtos e serviços aumentem no mesmo ritmo. A margem, assim, se achata. É preciso procurar outras alternativas, entre as quais se destaca a comunicação”, disse ele.
Veja as dicas de McKenna para você:
A internet serve para comunicação interna também. Se você usa a rede para se comunicar com seus clientes, faça o mesmo com sua equipe. Cuide para que as comunicações sejam relevantes e divertidas. Não desperdice seu órgão de comunicação apenas com resoluções escritas em estilo militar (“a partir de hoje, todos vão...”) ou placar do jogo de bocha “Financeiro x RH”. Faça tudo para atrair a atenção do seu pessoal.
Algumas empresas já utilizam o blog – espécie de diário pessoal na internet – para passar informações a seus clientes. Dá uma impressão de informação confidencial, que poucos poderiam saber. Faça o mesmo em sua empresa. Você pode separar um pequeno espaço na sua rede interna para que sua equipe faça blogs, e dê o exemplo. É uma boa maneira de integrar a comunicação.
Seja transparente. Nada de omitir ou disfarçar opiniões. As empresas não éticas não têm espaço em um futuro próximo e não conseguirão reter nenhum talento.
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