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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Especial

Assuma o controle de sua equipe

por Cleverson Uliana

09/2009

Quantas vezes você já chegou em casa exausto, irritado, desejando nunca mais voltar à empresa em virtude de algum colega de trabalho? Todos já passaram por situações estressantes ou tiveram de suportar comportamentos desagradáveis no ambiente de trabalho. E o panorama não é um dos mais otimistas, pois você pode trocar de emprego, mas vai continuar encontrando os mesmos problemas em qualquer lugar. Então, o jeito é aprender a reagir a tudo isso da forma mais inteligente, saudável e produtiva.

E como evitar que o mau comportamento e os hábitos nocivos das pessoas prejudiquem a carreira e a saúde de seus colegas de trabalho? Vamos começar com uma constatação simples: se você é gerente, não pode evitar o mau comportamento e as fofocas de seus funcionários. Até porque você está ali justamente para administrar o comportamento deles. “Não existem equipes perfeitas. Cada colaborador vai testar seu chefe e é por isso que cada líder deve aprender a cuidar de si mesmo emocional e fisicamente para que não seja influenciado pelo comportamento dos outros”, esclarece Katherine Crowley, uma das autoras do livro Trabalhar com você está me matando, que ensina como lidar com o fator de maior impacto sobre a satisfação e o sucesso das pessoas no trabalho: as emoções delas e dos outros.

Emoções – Ao líder não basta apenas lidar com as suas emoções, mas também com as dos integrantes de sua equipe. Embora não seja fácil, é essencial conciliar as duas coisas. “Primeiro, ele precisa saber lidar maduramente com as próprias emoções, pois sem isso não saberá lidar com as alheias. Quem não sabe o que sente não consegue saber o que o outro sente, logo não tem empatia”, explica Paulo Gaudencio – médico psiquiatra e autor do livro Superdicas para se tornar um verdadeiro líder.

Uma maneira eficaz de lidar com as emoções dos outros é estabelecendo limites e dando feedbacks – uma forma do líder se proteger no local de trabalho. “Saber colocar limites e dar feedback de modo adequado são duas características essenciais da liderança. Costumo dizer que, se estou errado, o amigo fala “para” mim, enquanto o inimigo fala “de” mim. Essa é a lógica do feedback e do diálogo. Mas, infelizmente, esse é um dos mais desperdiçados instrumentos gerenciais”, informa Gaudencio.

As “dores de cabeça” gerenciais – Gerenciar bons profissionais é fácil. O problema é quando existem colaboradores problemáticos na equipe que estão sempre testando a paciência do líder e perturbando a paz de quem está ao redor.

Lidar com tantos perfis e comportamentos “especiais” em uma equipe é uma das atribuições do líder. Afinal, as melhores equipes são feitas de pessoas, cada qual trazendo diferentes qualidades ao projeto. E o líder deve cuidar para não fazer más interpretações dessas diferenças. “Antes de reagir ou rotular alguém, o líder deve aprender a apreciar o que eles fazem de melhor e a valorizar suas contribuições. Não é preciso gostar deles ou de tudo neles”, complementa Katherine.

Perguntamos aos nossos assinantes qual tipo de vendedor traz mais “dor de cabeça” ao líder. Confira o resultado no gráfico abaixo:

O cético – 42%
O devagar, quase parando – 13%
O ladrão – 12%
O passivo-agressivo – 12%
O atrasado crônico – 8%
O carente – 5%
O desaparecido – 4%
O truculento – 4%

Nesta edição da Liderança, você começa a conhecer cada um desses perfis, com detalhes do comportamento no dia a dia e as providências que você pode tomar para reverter a situação, de acordo com o livro Trabalhar com você está me matando. Trazemos também algumas experiências relatadas por nossos leitores ao conviver com cada uma dessas “dores de cabeça” gerenciais. Confira!

O cético
“Isso nunca vai dar certo”

Como se comporta?
Antônio é aquela pessoa do contra, desconfiado e resistente às novas ideias. Acha defeito em qualquer mudança positiva que o líder tenta implementar. No entanto, mesmo sem concordar com alguma política ou plano continua fazendo seu trabalho.

O que fazer?

  • Diga a Antônio que ele é um funcionário valioso, mas que gostaria que aceitasse as mudanças de forma mais positiva.
  • Enfatize a importância de apoiar novas ideias e cite exemplos no passado por meio dos quais ele resistiu a novas ideias e o quanto isso afetou negativamente o restante da equipe.
  • Monitore o comportamento de Antônio. Dê a ele a tarefa de ensinar aos outros membros da equipe como aplicar ideias que ele havia rejeitado. Lembre que seus comentários negativos não são produtivos.

História da vida real
“Tínhamos um corretor de imóveis, excelente profissional em alguns aspectos, mas extremamente negativo. Qualquer ideia que não partisse dele seria inviável. O pior é que fazia tudo para que as ideias dos outros falhassem e ele estufar o peito e dizer: ‘Falei que não ia dar certo’. Fizemos várias tentativas de sincronizá-lo com a equipe, até que tivemos de demiti-lo. Imediatamente, o clima organizacional mudou e nossa produtividade disparou, assim como a motivação geral atingiu seu ápice na empresa.”

José Carlos Pereira, gerente de marketing de Belo Horizonte, MG.

 

O passivo-agressivo
“Não fiz muita coisa ainda porque não sei o que você quer”

Como se comporta?
Por temer discordar abertamente dos outros, Renata diz “sim” apesar de seu comportamento indicar um sonoro “não”. Age silenciosamente de diversas maneiras. Se você está tendo de lidar com esse tipo de pessoa, vai se sentir frequentemente atacado, embora sempre diga que deseja o melhor para você e a empresa. Entre os comportamentos típicos: o “esquecimento” de compromissos importantes e o não engajamento em projetos fundamentais.

  • O que fazer?
    Expresse sua decepção com o desempenho de Renata. Diga que quando vocês conversam e concordam a respeito de qualquer iniciativa é tarefa dela obedecer ao plano.
  • Ressalte que as opiniões dela são bem-vindas, mas que ela precisa falar o que pensa se discorda dos planos. E que, se não gostar das ideias, então que ofereça outras.
  • Reúna-se regularmente com Renata para repassar os planos e verifique o andamento de cada projeto, deixando claro que as opiniões dela são importantes.

História da vida real
“Ter esse profissional na equipe é muito ruim. Além de não querer fazer nada, atrapalha e desmotiva toda a equipe. Conversei com ele, explicando que suas atitudes não eram compatíveis com as de um profissional, que ele precisava melhorar e procurar se motivar. Se o problema persistir, não existe outra alternativa a não ser sua demissão.”

Wagner Bottari, superintendente comercial de São Paulo, SP.

 

O devagar, quase parando
“Eu termino amanhã. Prometo”

Como se comporta?
Confiável, mas lento, Lázaro gasta horas para completar tarefas que os outros fazem em minutos. Trabalha, porém o faz lentamente. Os líderes acabam evitando incluí-lo nos projetos mais importantes, com medo de que demore demais a entregar o resultado.

  • O que fazer?
    Passe um dia treinando Lázaro. Mostre a ele o método de trabalho e descreva cada etapa para que ele possa anotar a sequência e aplicá-la depois em seu dia a dia.
  • Faça acompanhamento diário do trabalho de Lázaro. Verifique quais são as pendências e o ajude caso se atrase com algo complicado.
  • Se você perceber que Lázaro é metódico e precisa ser guiado e cobrado constantemente, em vez de deixar que o trabalho se acumule, monitore-o de perto.

História da vida real
“Tínhamos um cliente que pediu um orçamento o mais rápido possível, pois queria fechá-lo no mesmo dia. Solicitei ao vendedor passar lá e fechar, mas para minha surpresa, no primeiro telefonema do dia seguinte, o cliente disse que ninguém tinha passado o orçamento para ele. Fiz no mesmo momento e fechei a venda. Quando falei com o vendedor, ele disse que tinha passado o orçamento e o cliente ia esperar um pouco. Assim que mostrei o pedido fechado, ele não sabia o que fazer e pediu para acertar as contas.”

Fernando Semeoni, gerente de Rio do Sul, SC.

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Autor(a):

Cleverson Uliana

Cleverson Uliana é graduado em Jornalismo e Rádio e Televisão. Foi editor-executivo da revista Liderança até setembro/2010.
 



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