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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Especial

Preciso trazer de volta alguém que demiti. E agora?

por Redação Liderança

03/2010

Você demitiu alguém de sua equipe e agora precisa desse talento de volta? Recontratar seria a solução. Alguns líderes acreditam que essa é uma tarefa fácil de resolver, enquanto outros assumem que não é uma missão tão simples assim. Para ajudá-los, vamos esclarecer as principais dúvidas que envolvem a recontratação de funcionários.

 

Primeiramente, é preciso lembrar de dois fatores que provavelmente fizeram com que muitos líderes demitissem alguns trabalhadores. O primeiro é a crise, causadora de demissões em pequenas e grandes organizações que não conseguiram arcar com as despesas e precisaram cortar gastos. Entre esses custos estava a dispensa de alguns colaboradores, tanto daqueles que não fariam muita diferença como dos grandes talentos.

 

De acordo com Isabel Piñeiro, psicóloga e diretora da Paradigma Consultoria, existe um segundo indicador que é bastante comum nas empresas para a demissão de um funcionário: “Antes, o fator primordial era demitir os detentores dos mais altos salários. Hoje, a realidade é que a maioria das demissões não mobilizadas pela crise se deve a comportamentos inadequados do profissional”.

 

Avaliação – O jogo virou e a situação agora é outra: você descobriu que a companhia precisa do colaborador demitido. E então o que fazer, recontratá-lo ou não? Algumas organizações acreditam que esse processo é simples. Entretanto, para a recontratação dar certo, é preciso ir com calma e avaliar alguns pontos.

 

O conferencista empresarial Gutemberg de Macedo explica que você deve, primeiramente, analisar se o ex-funcionário ainda se enquadra aos valores da companhia, como se relacionava com a equipe e se teve um bom desempenho profissional enquanto funcionário desta.

 

Isabel vai além e acredita que o líder também deve reavaliar esse colaborador por meio de testes, entrevistas ou dinâmicas específicas. É preciso observar ainda em que empresas ele trabalhou após a demissão e o que o motivaria a voltar, tanto nos aspectos profissionais como pessoais, para se certificar de que os objetivos dele são os mesmos que os da organização.

 

Receio – Antes de uma avaliação mais concreta a respeito da recontratação de um profissional, muitos líderes se questionam sobre o fato de ter demitido e agora querer a pessoa de volta. Alguns chegam a admitir que não sabem como agir, pois têm receio de assumir que erraram. Além disso, acreditam que voltar atrás pode não ser bom para a imagem da empresa.

 

Agora, se você já avaliou o ex-funcionário e possui consciência de que ele está apto para voltar, então por que não recontratá-lo? “Nada é permanente, tudo muda o tempo todo. O fato de a companhia ter tido um revés não significa que ela não possa mudar. Uma vez que ela tem muito para oferecer ao funcionário que foi demitido, não vejo por que ter orgulho nesse caso”, declara Gutemberg.

 

Cuidados – Você já decidiu que vai recontratar o profissional. Mas, e agora, como agir diante dessa situação? “Você deve ser transparente e esclarecer todos os motivos que o fizeram demiti-lo, bem como todos os fatores que o levaram a pensar diferente e chamá-lo novamente”, explica Isabel.

 

O processo de recontratação não depende exclusivamente da empresa, o profissional também tem de ajudar. Por outro lado, o líder deve deixar claros os motivos pelos quais o recontratou para que ele não fique se achando indispensável nem demonstrando superioridade diante dos colegas. “O funcionário precisa se questionar se realmente é isso o que quer. Sendo afirmativa a resposta, deve assumir uma postura de reconhecimento com a organização, além de respeitar o espaço de cada um na equipe com muita empatia, humildade e flexibilidade, reconquistando seu lugar junto ao time formado”, lembra Isabel.

 

É preciso ainda muito cuidado para não alimentar essa imagem de profissional indispensável. Então, pense nos colaboradores que já estão na empresa, eles também merecem atenção e respeito. “A recontratação pode vir acompanhada de custos indiretos, pois, com a equipe abalada, há queda de produtividade e qualidade, insatisfação e desmotivação, o que afeta diretamente o clima organizacional e o alcance dos resultados”, alerta Isabel.

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Autor(a):

Redação Liderança

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