por Redação Liderança
05/2010
Tom Peters é polêmico. O senhor de olhos claros, voz enérgica e humor de criança, à primeira vista, quase consegue esconder seu extraordinário conhecimento sobre liderança. O guru vive em uma fazenda no interior do estado de Vermont, nos Estados Unidos, e talvez venha daí sua serenidade para falar com tanta propriedade sobre gestão empresarial. Em recente passagem pelo Brasil, palestrou para mais de mil líderes na ExpoGestão, evento realizado no mês de junho, em Joinville, SC. A equipe da Liderança esteve lá e traz para você o melhor de Tom Peters.
Logo que pegou o microfone, abandonou o púlpito e palestrou circulando entre os participantes do evento. Após uma breve e divertida introdução, quando contou detalhes de sua vida de fazendeiro, Peters fez uma analogia paradoxal para expor sua visão sobre o mundo corporativo: “A excelência não é buscada nos negócios da mesma forma que é nos esportes ou nas artes”. Ele acredita que o empenho visto no trabalho de grandes atletas ou artistas seria o ideal para uma companhia chegar ao topo, mas lamenta por serem poucos os casos em que essa dedicação é percebida.
Em pouco mais de duas horas, o guru deu uma verdadeira aula sobre liderança, falando da importância de direcionar atenção aos colaboradores antes de olhar para os clientes. O ponto central de sua palestra foi a falta de foco que as empresas têm em seus funcionários – eles, que estão ali, no dia a dia, diante dos consumidores. Mas falou também a respeito do que faz a diferença no atendimento aos clientes e ainda deu uma dica preciosa sobre recrutamento de líderes.
Respeito – Não existem segredos para conquistar respeito, confiança, comprometimento e engajamento de uma equipe. Peters garante que as pessoas não esperam nada além da reciprocidade do líder quanto ao que ele espera da equipe. Os colaboradores só querem ouvir, serem ouvidos e respeitados. Na palestra, citou uma frase do presidente da Starbucks, Howard Schultz, que resume bem essa questão: “As pessoas querem fazer parte de algo maior que elas mesmas, que possam se orgulhar, lutar e se sacrificar”. Nas palavras do guru, “o líder não tem de ser o melhor estrategista, e sim contratar os melhores. Seu papel é desenvolver esses indivíduos, visando a excelência. Para isso, precisa contar com habilidades que não são ensinadas em nenhum curso no mundo, mas podem ser facilmente desenvolvidas”. Confira:
Colaboradores –O que Peters fala a respeito dos líderes também considera para as organizações. Um dos pontos máximos de sua palestra foi quando disse que odeia as “missões” das empresas. Ele acredita que não passam de belas palavras reunidas, mas incapazes de transmitir algo além de projeções infundadas. No entanto, seu extremismo tem limites, pois existe uma missão que considera perfeita, a de uma agência de comunicação norte-americana: “Desenvolver e gerenciar talentos para que os apliquem pelo mundo para o benefício dos clientes, com a intenção de desenvolver parcerias lucrativas”.
O guru a defende porque ela foca os colaboradores, e não os clientes. A maioria das empresas, independentemente de seu segmento de atuação, gaba-se por ter foco no consumidor, mas se esquece de que, antes de dar atenção a eles, é necessário que toda a equipe de colaboradores esteja engajada nessa mesma causa. Por isso, a importância de ter os olhos voltados para quem está diante do cliente.
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