Especial
Instabilidade colocada em xeque
por Adriano Meirinho
07/2010
Foi-se o tempo em que permanecer no mesmo emprego por vários anos era sinônimo de sucesso. Hoje em dia, no entanto, também não é nada positivo se deparar com currículos de profissionais que tiveram diversos empregos e não ficaram mais que um ano em cada um deles.
O primeiro exemplo, sobre aqueles colaboradores que completavam 20, 30, 40 e até 50 anos na mesma organização não ocorre mais com tanta frequência. Atualmente, é comum que profissionais fiquem 10 ou 15 anos, mas nunca na mesma posição. Quando as pessoas permanecem cerca de uma década na mesma empresa e passam por diversas áreas, subindo de cargo, em média, a cada dois anos, ou seja, supostamente entrando na companhia como assistentes e saindo como diretoras, isso demonstra a construção de uma carreira sólida, o que é bem-visto por recrutadores.
Por outro lado, permanecer pouco tempo em uma organização é malvisto por recrutadores devido a alguns motivos, como: instabilidade, ansiedade de crescer rapidamente, falta de comprometimento e objetividade na carreira e, talvez, imaturidade e imediatismo. Esses casos são bem comuns, principalmente nos jovens entre 20 e 30 anos, que querem progredir com rapidez na carreira e, quando surge algum problema, deixam de resolvê-lo, já que é mais fácil abandoná-lo.
Os jovens desejam crescer rapidamente e sem passar por dificuldades. Formam-se, chegam ávidos ao mercado de trabalho e querem ganhar muito dinheiro com pouco esforço e trabalho a ser realizado, sem responsabilidades que lhes possam garantir um crescimento hierárquico e na remuneração. Quando percebem que “chegar lá” é mais complexo e árduo que imaginavam, partem para uma nova empresa com a mesma esperança de crescer rapidamente e sem esforço. Por isso, vejo profissionais de 25 anos que não permanecem mais que seis meses em uma companhia e já trilharam um caminho de insucesso em aproximadamente dez organizações distintas.
Objeção – Pensando como recrutador, é totalmente inconsequente para minha empresa contratar um profissional instável, pois, de acordo com o histórico apresentado, ele caminhará para a incerteza novamente. Não acredito que seja minha culpa, mas a chance é dada a quem busca galgar posições hierárquicas mais elevadas com responsabilidade, ambição e força.
Outro argumento que reforça essa visão é um dado apontado pela pesquisa
A contratação, a demissão e a carreira dos executivos brasileiros, realizada pela Catho Online entre os meses de março e abril deste ano, que diz que 89,3% dos presidentes e diretores de empresas têm alguma restrição a colaboradores que passam períodos curtos dentro de cada companhia e 84% dos gerentes e supervisores também não enxergam com bons olhos a curta duração das experiências profissionais anteriores.
Esses números ressaltam que, embora nos últimos tempos os profissionais de RH estejam discutindo muito sobre a geração Y – que, entre diversas características, traz as frequentes mudanças de emprego como item de destaque –, os recrutadores ainda almejam colaboradores estáveis e comprometidos com as organizações. Afinal, ninguém quer gastar recursos, tempo de recrutamento e treinamento com profissionais que não têm interesse em permanecer naquele trabalho.
Obviamente que aquela época em que os profissionais permaneciam muitas décadas em uma mesma empresa não volta mais – e realmente não deve voltar. É bom para as organizações e também para o profissional que ele respire novos ares e os traga para o trabalho. Reciclar é sempre favorável, mas isso pode ser feito de diversas formas sem ter de pular de emprego em emprego.
Por outro lado, o recrutador também deve avaliar o papel fundamental das empresas em propiciar um ambiente em que seus colaboradores se sintam motivados a trabalhar, evitando o
turnover. Inúmeras pesquisas apontam fatores que motivam e retêm os profissionais, e não falam apenas de salário. Portanto, se uma de suas maiores preocupações é evitar a fuga dos melhores talentos de sua companhia, é preciso analisar o quão boa ela é para esses profissionais.
Visite a loja www.editoraquantum.com.br que hoje é destaque no que diz respeito a produtos que colaboram com o crescimento profissional.
São revistas, áudios, vídeos, livros, newsletters, eventos e treinamentos voltados para um público vasto de iniciantes, veteranos, gerentes e líderes – todos focados no mesmo objetivo.