por Redação Liderança
08/2010
Há quem diga que trabalhar em casa é a melhor coisa do mundo. Acordar, ter tempo para conversar com a família e não precisar enfrentar a correria do trânsito a fim de chegar ao trabalho no horário. Esse sonho de muitos profissionais tem se mostrado cada vez mais uma tendência para o mercado.
Partindo do princípio de que o home office está se tornando algo comum para muitas empresas, temos uma questão importante para conversar com você: sua companhia libera ou liberaria os colaboradores para trabalharem em casa? Para algumas organizações, isso é um absurdo; já, para outras, significa ganhos a mais. Aumento de produtividade, criatividade e comprometimento estão entre os principais benefícios apontados por líderes de equipes que trabalham em casa.
Perguntamos a Sulivan França, diretor da Sociedade Latino Americana de Coaching, se é bom para a empresa liberar seus funcionários para trabalharem em casa. Ele explica que essa mudança não deve ser radical, mas adotada de forma gradativa. “É importante fazer com que o trabalho seja desenvolvido uma parte na empresa e outra em casa, medindo e comparando os resultados até que atinjam números satisfatórios para que, então, seja possível liberar o trabalho 100% home office”, explica.
Já, para Daniela Zanuncini, psicóloga e diretora da Bem-Estar Desenvolvimento Humano, é necessário que a empresa analise o perfil do colaborador. Se estiver adequado, não há problemas em liberá-lo para trabalhar em casa. Agora, caso o profissional não consiga se organizar e precise da cobrança do líder constantemente, o melhor a fazer é deixá-lo na organização. “O funcionário tem de ser automotivado, administrar bem seu tempo, respeitar prazos e gerenciar sua produção a contento”, lembra.
O estudo Undress for success: the naked truth about working from home revelou que os norte-americanos poderiam economizar, mensalmente, mais de US$500 por funcionário com o home office. No Brasil, também existem companhias que conseguem diminuir custos e garantir a produtividade de seus colaboradores. É o caso da Ticket, empresa de benefícios que descobriu uma nova forma de lidar com o crescimento e desenvolvimento de seus profissionais por meio do home office.
Mudança –Antes de decidir adotar ou não esse sistema em sua companhia, é preciso analisar se líderes e equipes estão preparados para a mudança. “A organização tem de estar capacitada para administrar o processo e as pessoas que trabalham em casa, ter prerrequisitos e procedimentos necessários para que isso aconteça, sistemas de avaliação, comunicação direta, supervisão e delegação. Delegar sem controle pode ser um risco”, alerta Daniela.
Caso sua empresa tenha tudo isso, prepare-se para os benefícios que o home office pode trazer, como: lucratividade, produtividade e comprometimento, até mesmo em tempos difíceis, em que a ordem é economizar. Esse sistema de trabalho pode ser a solução para muitas organizações. No entanto, Sulivan alerta para algo importante: “Deve-se tomar cuidado quanto ao risco de queda na produtividade, o que, em tempos de crise, é algo perigoso”.
Monitoramento – Para evitar que a produtividade caia, o líder precisa contribuir para o sucesso do home office. Se você quer liberar seus funcionários para trabalharem em casa, não deixe de acompanhar o desenvolvimento deles, tenha uma planilha de controle de atividades e dê feedbacks constantemente. Não se esqueça de que eles continuam sendo seus colaboradores e estão sob sua responsabilidade. De acordo com Daniela, as exigências devem ser iguais às dos profissionais que trabalham na empresa:
Economia – Você pode até pensar: “Se a questão é fazer com que o colaborador se sinta bem e produza mais por estar em casa, posso mudar a ‘cara’ do ambiente de trabalho, tornando-o mais familiar, quase uma extensão da casa de cada um?”. Sim, você pode. A questão, no entanto, é outra: quanto tempo seu funcionário gasta para chegar até a empresa que poderia reverter em produtividade? “É preciso entender que, ao se deslocar para o trabalho, o profissional provavelmente passa uma boa parte de seu tempo no trânsito. Trabalhar em home office não é apenas estar em um lugar agradável, mas não ter de se locomover de casa ao trabalho e vice-versa, economizando assim tempo e recursos financeiros”, afirma Sulivan.
Essa economia talvez seja um dos principais pontos positivos do home office para muitas organizações. Afinal, se o colaborador gerenciar bem seu tempo, você ganha em produtividade e tem menores custos, o que interfere diretamente na lucratividade. Caso seu funcionário tenha esse perfil, então por que não permitir que ele trabalhe em casa?
Para ajudar você nessa decisão, listamos algumas vantagens que o home office pode trazer à sua empresa e equipe, como: flexibilidade de horário, aumento da concentração, autonomia, criatividade, qualidade de vida, liberdade e resultados. Sem falar no comprometimento gerado pelo fato de você proporcionar o benefício de trabalhar em casa – um sentimento de gratidão e confiança que se reflete em resultados.
Responsabilidade – É preciso deixar claro para seu funcionário que, embora esteja trabalhando em casa, ele deve realizar suas tarefas com a mesma ou até mais dedicação e comprometimento com que fazia na empresa. Mas não esqueça que a organização também tem responsabilidades nesse processo. Se o colaborador não tiver em casa a estrutura de trabalho necessária, a companhia pode oferecer tudo o que ele precisa, se isso for de comum acordo entre ambas as partes. Afinal, se esse profissional vai trazer benefícios e lucros para a empresa, é preciso garantir todos os recursos necessários para isso acontecer.
Além disso, o home office não pode interferir negativamente na relação e contato entre empresa e funcionário. É fundamental que o líder faça, por exemplo, reuniões, contato por chats, MSN, encontros pessoais, confraternizações e integração.
Colaboração:Cristiane Dias
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