Como identificar e reforçar o engajamento em sua empresa
publicado em 24/07/2009
Todos os meses, você paga o salário de sua equipe. Mas já se perguntou o que realmente está pagando? Muitos pagam apenas por um par de braços, quando, na verdade, a mente, o coração e o comprometimento das pessoas estão em outro lugar.
Uma pesquisa realizada pelo Gallup mostrou que, no Brasil, apenas 22% dos funcionários estão ativamente engajados com seu trabalho. Para efeito de comparação, o nosso vizinho, Chile, apresenta índices de 25% e os Estados Unidos, 28%. E o que é pior, o estudo revelou que 17% de nossos colaboradores são ativamente desengajados, jogam contra e sabotam, seja consciente ou inconscientemente.
Antes de continuarmos, vamos definir o que o pessoal do Gallup considera ser “engajado”. Para eles, são pessoas que demonstram realmente se importar com seu local de trabalho, seus clientes internos e externos, sua carreira, e que trabalham em empresas que também se preocupam com seus funcionários.
Esse comprometimento mútuo é identificado por meio de um questionário com perguntas, como:
- Você sabe o que esperam que realize em seu trabalho?
- Tem o material e o equipamento que precisa para trabalhar bem?
- Nos últimos sete dias, você recebeu algum elogio ou reconhecimento em virtude de um trabalho bem-feito?
- Seu supervisor ou algum colega parece se importar genuinamente com você como pessoa?
- A missão de sua empresa faz com que sinta que seu trabalho é importante?
- Nos últimos seis meses, alguém em seu trabalho mencionou algo sobre seu progresso?
É preciso ficar claro que, se um funcionário não coloca o coração no que faz, é porque não vê motivo para isso. Todos gostam de se sentir úteis e de fazer a diferença para os outros. Mas, muitas vezes, é o líder ou a companhia que não lhes dá abertura para isso.
De acordo com a Harris Interactive, empresa norte-americana de pesquisas, o alinhamento, o engajamento e a paixão de um colaborador pela missão e os objetivos da empresa são conquistados por meio de:
- Oportunidades de desenvolvimento de carreira.
- Salários e benefícios decentes.
- Recompensas/reconhecimentos frequentes.
- Espaço e treinamento para desenvolver a automotivação.
- Satisfação com o que se faz.
- Bom relacionamento entre líder e liderado.
- Cultura da empresa e ambiente de trabalho adequados.
- Comunicação interna clara e abundante, com definições precisas dos objetivos e do que se espera daquele trabalhador.
Veja que, desses oito tópicos, somente um (satisfação com o que se faz) depende apenas do funcionário e só os dois primeiros requerem desembolso de dinheiro. Os outros cinco itens podem ser desenvolvidos com um líder ativo, capaz de falar, fazer, dar tapinhas nas costas e ouvir seu pessoal – e isso não custa absolutamente nada.
Um grande abraço,
Cleverson Uliana
Redator-chefe da revista
Liderança
cleverson@lideraonline.com.br
Artigo da semana
Feedback, uma competência do líder
Por Isabel Piñeiro
A verdadeira razão de o
feedback ser pouco praticado, seja nas organizações ou na vida em geral, é que, normalmente, tememos o que vamos ouvir, o que o outro realmente pensa a nosso respeito. Ficar apenas com nossa percepção sobre nós mesmos não é inteligente, mas nos parece mais seguro, pois assim permanecemos em nossa zona de conforto.
Feedback ou retorno são informações que buscamos sobre o resultado de nossas ações, é um processo de ajuda para a mudança de comportamento. Por isso, é natural recebê-lo, seja na conversa com amigos, na expressão facial de nossos filhos em resposta a uma ação nossa, etc. Entretanto, é necessário estar aberto ao processo para tirar proveito dele. Precisamos nos ater aos detalhes, pois, muitas vezes, eles são pequenos e quase imperceptíveis, por isso é importante aguçar nossa percepção.
Para saber receber um
feedback, é preciso entender como se propicia um
feedback construtivo para os demais, pois é nessa troca constante que podemos evoluir. Para tanto, precisamos exercitar a empatia, já que ela é a base do processo. Ao estarmos abertos e receptivos à opinião, crítica e sugestões do outro, aumentamos a possibilidade de que ele se comporte assim ao receber o
feedback que passamos. É imprescindível dizer às pessoas, de maneira direta e transparente, quando suas atitudes estão incomodando. Confrontar e esclarecer torna nossa comunicação mais efetiva e eficaz.
Em uma das obras de Roberto Shinyashiki, li a história de dois velhinhos apaixonados, casados há mais de 50 anos, que foram comprar dois jazigos. Subitamente, o homem falou para a esposa: “Se eu morrer antes, você se incomoda de me enterrar do lado direito?”. Então, sua companheira respondeu: “Não tem problema algum. Mas me diga, por que gostaria de ser enterrado do lado direito se você sempre dormiu do lado esquerdo? Você prefere o lado direito?”. Ele sorriu positivamente e ela lhe falou: “Por que não me disse isso antes? Para mim, não faria diferença”.
As pessoas compartilham uma vida inteira e não se conhecem. Nós não nos conhecemos profundamente, por isso é tão difícil conhecer o outro. E, muitas vezes, não nos conhecemos por falta de coragem ou motivação para mudar, pois ser protagonista de nossa história equivale a assumir todas as responsabilidades, seja sobre erros ou vitórias. Ao escolhermos esse papel, começamos uma jornada direta para uma melhoria nas relações, na comunicação e no processo de
feedback.
O líder passa a assumir o papel de
coach nas atividades profissionais ou pessoais a partir do momento em que se conhece e consegue cuidar de si, pois somente após isso ele consegue ter sucesso na condução de equipes de alta performance. E, quando me refiro a essas equipes, não falo apenas do trabalho e da empresa, mas da família, dos amigos, entre outros.
Fica a reflexão: como estamos propiciando e recebendo
feedback?
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Opinião do leitor
“A revista Liderança é repleta de textos interessantes, que caem como uma luva para as nossas necessidades”
Suelen Lopes
Para pensar
“Se você não tem uma visão de futuro, está condenado a viver eternamente a repetição de seu passado”
A.R. Bernard
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