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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Lealdade de funcionários existe?

publicado em 04/05/2010


Pergunte a qualquer empresário ou gerente a razão pela qual ele não investe ou investe pouco em seus funcionários. A resposta é imediata: “Se eu treiná-los, eles vão para a concorrência”. Parece que é preferível ficar com um profissional despreparado a desenvolver o potencial daquela pessoa e correr o risco de vê-la trabalhar em outro lugar. Coloca-se, assim, a culpa nos colaboradores, sempre interesseiros, que trabalharão na empresa que pagar mais.

Agora pense um pouco. Vale a pena abandonar o local a que você dedicou parte de sua vida, colegas que se tornaram amigos e processos aos quais se acostumou para ir a um local que você conhece muito pouco, em que terá de aprender a trabalhar em um ritmo diferente, ter um superior e colegas diferentes e dos quais você não sabe nada? As pessoas aceitariam sair totalmente da sua zona de conforto, arriscar a maneira pela qual elas sobrevivem na vida por R$20 ou R$50 a mais todo mês? Ou aqueles que saem na primeira oportunidade, após um treinamento, são os que estavam desmotivados, com um pé fora da empresa, e só esperavam a primeira oportunidade para abandonar o barco?

O valor de um bom funcionário mudou muito na última década. Lembra-se dos anos 90? O que valia era permanecer dois, três anos em cada empresa e depois ir trabalhar num outro lugar, construindo assim uma carreira em zigue-zague. Nenhum laço emocional se desenvolvia entre a empresa e os trabalhadores, apenas o desejo de conseguir ótimos resultados a curto prazo.

Aí percebeu-se que, de curto prazo em curto prazo, não se chega a lugar algum. Que, se desejamos clientes leais, devemos ter funcionários leais. Além disso, se eu descubro um grande talento, por que iria querer que ele fosse para a concorrência depois de alguns anos?

Assim, o mercado parece trabalhar com dois tipos de profissionais: aqueles que poucos querem, que engrossam as estatísticas do desemprego todo mês, e os grandes talentos, disputados por várias empresas. Falta, nessa equação, aqueles que podem ser grandes profissionais e que não desenvolvemos por medo de perdê-los para a concorrência.

Frederick Reichheld, autor do livro Princípios de lealdade: como construir relacionamentos com clientes, fornecedores e funcionários, diz que não há necessidade de temer que talentos saiam da empresa se você fizer a lição de casa direito. “Funcionários são leais quando sentem que fazem parte de um time que entrega algo de ótimo valor para os seus clientes, de modo que os faça sentirem-se orgulhosos. Se a empresa também recompensa aquelas equipes e funcionários de uma maneira que divide o valor que eles criaram de forma justa, a lealdade é quase inevitável”, afirma. Ou seja, não é apenas um salário decente no fim do mês que pesa. O que os bons colaboradores esperam é:

  1. Sentir-se parte de uma equipe, realizando um trabalho que realmente importa.
  2. Fazer algo bom, que agrade aos clientes e que os faça sentirem-se de bem com o mundo.

Essas duas ações não exigem que o gerente gaste dinheiro, apenas que desenvolva o equilíbrio certo dentro de sua empresa.

Na próxima semana, não perca as 6 estratégias da lealdade, de Frederick Reichheld.

Um grande abraço,

Cleverson Uliana
Editor da revista Liderança
cleverson@lideraonline.com.br
http://www.twitter.com/cleversonuliana
 

Artigo da semana
Tempo não quer dizer sabedoria

Por Ricardo Ventura

Tirando os ensinamentos da vovó, tempo não quer dizer competência!

Outro dia, meu amigo Wilton Buttner me ligou dizendo que tinha sido promovido para um cargo de abrangência nacional. Não me espantei nem um pouco, pois conheço sua competência! Mas os outros “concorrentes” ao mesmo cargo ficaram espantados!

— Como o Wilton foi escolhido se tenho dez anos de empresa?!
— E eu que tenho quase vinte! – exclamou outro.

Engraçado isso, não é? Como as pessoas dentro de uma organização se acham no direito da promoção compulsória. Eu imagino o que passa na cabeça desses cidadãos:

“Ah, vou levando meu trabalho fazendo as minhas obrigações, chegando cedo, cumprindo meu horário e minhas metas, fazendo sempre o que me é pedido, vestindo a ‘camisa’ e quando tiver uma ‘vaguinha’ melhor... É claro, sou o primeiro da lista, pois tenho dez anos de casa! Sou um funcionário padrão”.

Pois é, esse meu amigo Wilton só tem seis anos de empresa. Ele também fez todo seu dever de casa. Fez cursos, especializou-se, entregou mais do que pediam e sempre, sempre solicitou feedback aos seus superiores! Sim, sempre perguntava como poderia melhorar, como seu trabalho poderia ser mais produtivo. Ele raramente leva problemas aos seus superiores e, quando os leva, tem uma ou duas alternativas para que possam escolher, e não apenas esperar a “solução” certa.

Pois bem... Parabéns Wilton! Espero que seu case sirva de inspiração para outras pessoas.

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Opinião do leitor
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Adriana Martins

Para pensar
“Liderança é a capacidade de tomar iniciativas em situações de planejar, organizar a ação e suscitar colaboração”
Maria Aparecida Ferreira de Aguiar

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