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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Motivação – Do mito à realidade – Parte 2

publicado em 11/08/2010


Nem sempre dois colaboradores que agem da mesma forma o fazem pelas mesmas razões. Logo, cada integrante da sua equipe tem necessidades, sonhos e metas diferentes. Cabe a você, descobrir o que motiva cada um e tentar, dentro das políticas da empresa, mostrar os caminhos para que eles possam atingir seus objetivos.

Para identificar necessidades, sonhos e metas de seus funcionários, você não precisa de bola de cristal ou ser especialista em avaliações de perfil. Comece pelo básico: observe o dia a dia e sempre faça perguntas. Anote tudo o que você identificar. Se deixar na cabeça, logo cairá no esquecimento. Tenha um pequeno perfil de cada pessoa e vá adicionando informações. Observe sempre o comportamento dela no ambiente de trabalho, mas evite julgar; compreenda os motivos que levam cada um a ter determinada postura.

Você também pode trabalhar com avaliação de desempenho ou testes elaborados em consultorias especializadas em comportamento humano. A partir dos resultados, crie programas de incentivo ajustados às necessidades de cada um. Muitas vezes, imagina-se que a motivação só se promove com premiação financeira. Mas não é com dinheiro que o profissional compra um lugar no grupo ou aceitação social. Uma simples valorização pública pelo líder pode, muitas vezes, superar tremendamente bônus financeiros.

Como você percebeu, o líder precisa ter uma percepção eficaz para fazer o diagnóstico correto daquilo que seus colaboradores buscam encontrar no trabalho. Até porque, diversas vezes, ele ajuda os funcionários a reconhecerem as necessidades motivacionais que possuem, uma vez que elas podem não ser claramente percebidas, mas estar dormentes na personalidade deles.

É muito comum os líderes investirem constantemente em seminários, palestras e cursos com o intuito de motivar os colaboradores. Mas como cada um tem perfil motivacional próprio, o trabalho do líder não pode ser generalizado. Pode-se fazer palestra sobre o fenômeno da motivação, mas o trabalho de conseguir seguidores motivados é individualizado. O bom líder é procurado espontaneamente por eles para dar orientação sobre a motivação de cada um.

Esse tipo de investimento é importante, mas o participante deve usar a energia e o conhecimento que adquire. Nada é mais frustrante que assistir a um evento motivacional e voltar para a empresa tendo a certeza de que lá nada nunca vai mudar. É preciso motivar e deixar as pessoas criarem e experimentarem novos processos, sistemas e tecnologias.

Embora você já saiba que a motivação está dentro de cada um e o que o líder pode fazer é estimulá-la, algumas ações simples podem funcionar como verdadeiros catalisadores – elogiar, valorizar e reconhecer devem ser hábitos dos bons líderes. Afinal, o que está sendo benfeito deve ser destacado. Essa é uma das melhores formas de incentivar o colaborador a continuar por esse caminho.

Por outro lado, determinados comportamentos e atitudes podem ser inversamente proporcionais à motivação de seus funcionários: falta de transparência nas decisões, autoritarismo desnecessário e frequente, condições inadequadas de trabalho e, claro, remuneração defasada em relação ao mercado – todos são aspectos que podem interferir no processo.

E atenção! Você, como líder, deve ser o exemplo e o grande inspirador da equipe. A má liderança é o maior fator de desmotivação em qualquer tipo de empresa e também o maior motivo da perda de talentos para os concorrentes. De nada adianta uma pessoa motivada que não tem espaço para criar, desenvolver-se e crescer. Logo, ela vai procurar um lugar em que o trabalho dela seja reconhecido.

Um grande abraço,

Cleverson Uliana
Editor da revista Liderança
cleverson@lideraonline.com.br
 

Artigo da semana
O novo líder

Por Marcelo Gonçalves

Carisma e inteligência são qualidades frequentemente associadas ao perfil de grandes líderes. Segundo o senso comum, quem não dispõe desses atributos tende a se sair mal nos cargos de comando.

Nos últimos anos, porém, os gestores de pessoas e responsáveis pelos processos de recrutamento passaram a elencar outras qualidades tão desejáveis quanto essas nos profissionais que contratam para ocupar cargos de gerência e até de direção.

Mais do que senso de autoridade, o mercado de hoje valoriza o profissional flexível, que se adapta às características do grupo e, dessa forma, evita choques desnecessários. Em vez de se impor o tempo todo, ele conquista o apreço dos colegas, desperta o desejo de cooperação e fortalece a unidade da equipe.

Também está claro que não adianta o líder ter um altíssimo quociente de inteligência, e não ser capaz de interagir com o restante do time. Mais do que uma mente brilhante, ele precisa ter a chamada “inteligência emocional”, imprescindível para a construção de bons relacionamentos.

Diante dessa nova abordagem, deixa de fazer sentido o delineamento de um único perfil de liderança – o que se busca, na realidade, é a pessoa certa para estar à frente de cada grupo, com suas peculiaridades e natureza única.

Mas, se não é um conjunto de características específicas, o que, afinal, torna uma pessoa talhada para a liderança?

Estudos conduzidos pelo professor Glenn Rowe, da Faculty of Business Administration da Memorial University of Newfoundland, do Canadá, indicam que líderes eficazes são indivíduos que, por um lado, personificam as características do grupo e, por outro, têm qualidades que os diferenciam positivamente dos pares deles.

Em outras palavras, é importante que um líder tenha afinidades que lhe permitam criar uma espécie de sinergia com a equipe, pois essa empatia profunda se traduzirá em cumplicidade, companheirismo e, consequentemente, em trabalhos executados com mais entusiasmo e eficiência. Por outro lado, o líder eficaz deve ter talentos que o façam merecer a posição de destaque – e estes devem ser muito bem evidenciados, para que não passem despercebidos por aqueles que estão sob o comando dele.

Marcelo Gonçalves é sócio-diretor da BDO, quinta maior rede do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

Opinião do leitor
“Gostaria de agradecer por tantas dicas. Elas têm me ajudado muito. Sempre que me deparo com situações em que fico em dúvida, recorro aos artigos da Liderança. Coordenar uma equipe não é fácil, mas está sendo um desafio incrível. Preciso aprender muito ainda e, com esse material, só tenho a crescer.”
Elaine Soares

Para pensar
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Claudiney Fullmann

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