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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Procuram-se novos líderes

publicado em 25/08/2010


Na e-zine da semana passada, você viu que empresas e líderes que se deparam com a sucessão de lideranças apenas quando a necessidade bate à porta perdem grandes oportunidades de identificar e desenvolver talentos. Afinal, hoje em dia, não basta apenas preparar pessoas para que sejam melhores e mais eficientes nas funções que desempenham, é preciso desenvolvê-las para a liderança, não é mesmo?

Para Ram Charan, autor de O líder criador de líderes e consultor de executivos do quilate de Jack Welch, atributos e habilidades facilmente perceptíveis como brilhantismo analítico, carisma, capacidade de fazer excelentes apresentações e motivação para o sucesso são boas qualidades para se ter, mas não são indicativos precisos da capacidade de liderança. Em vez disso, ele recomenda que sejam observadas determinadas ações, comportamentos e decisões que revelam o verdadeiro potencial para a liderança:

  • É motivado e apaixonado em relação à liderança?
  • Entende o negócio e conhece fundamentos para gerar dinheiro?
  • Entende os requisitos para realizar bem o trabalho de seu chefe?
  • Está continuamente aprendendo algo?
  • Gosta de trabalhar com pessoas diversas e de alto nível ou traz consigo, para um novo trabalho, aquelas com as quais se sente à vontade?
  • Lida com situações cada vez mais complexas e incertas, utilizando os fracassos ocasionais como oportunidades de aprender?
  • Mostra curiosidade em relação a temas fora de sua área de especialidade?
  • Obtém bons resultados? Faz algo extraordinário para isso?
  • Orgulha-se da realização das metas com base em sua própria capacidade ou fala sobre unir e motivar os outros para atingi-las?
  • Sua ambição é claramente uma posição de liderança ou é mais orientada para uma contribuição individual?
  • Tem motivação para moldar o ambiente externo e progredir?
  • Possui sonhos inatingíveis ou realistas? Tem uma metodologia para continuar a desenvolver novas habilidades e ajustar suas características de personalidade para atingir tais sonhos?

Pensou em alguém da sua equipe enquanto lia os tópicos acima? Então, não ignore esse sinal, pois essa pessoa pode se tratar de um futuro líder para sua empresa.

Ram Charan também identificou algumas concepções erradas sobre liderança e seu desenvolvimento, que acabam levando a processos e programas de treinamento ineficazes, confira:

  • Não reconhecer que somente algumas pessoas têm potencial para serem líderes. Elas devem ser identificadas rapidamente para que se livrem da tortura de precisar provar sua capacidade a todo instante.
  • Não fazer da identificação e do desenvolvimento de sucessores parte explícita das atribuições de cada líder e não proporcionar ferramentas nem recompensas por fazer isso bem. Hoje, a maioria das empresas só acompanha a capacidade de um líder de gerar números, quando deveria se preocupar também com sua capacidade de gerar outros líderes.
  • Delegar a identificação e o desenvolvimento de líderes de alto potencial aos de nível inferior, que não estão preparados para a tarefa.
  • Utilizar análises de desempenho superficiais e burocráticas.
  • Aplicar as mesmas expectativas e o mesmo sistema de rotação de cargos a todos os líderes, em vez de customizá-los de acordo com os talentos e as necessidades de desenvolvimento individuais.
  • Dividir os recursos para o desenvolvimento de liderança por líderes na esperança de que os mais fortes se destaquem.
  • Utilizar a instrução em sala de aula como substituta para os desafios do mundo real.

O que também acontece com bastante frequência é que características e comportamentos de um líder não são bem-vistos pela empresa quando exibidos por liderados. Esses comportamentos são vistos como prova de que eles não são bons funcionários, quando, na verdade, possuem mais habilidades a serem exploradas.

Para mudar esse quadro, recomenda-se que as empresas reconheçam que esses colaboradores têm potencial para serem líderes e lhes forneçam oportunidades para crescerem. Já, para os liderados, é importante que aprendam como usar o comportamento adequado para a situação atual, ao mesmo tempo mostrando que têm potencial para crescer, sem deixar que ele adormeça.

Um grande abraço,

Cleverson Uliana
Editor da revista Liderança
cleverson@lideraonline.com.br
 

Artigo da semana
Veto à regulamentação das premiações por desempenho: decisão acertada?

Por Adriana Saab

Veto presidencial barrou o PLC 286/2009, originário do Projeto de Lei 6749/2006, que dispõe sobre os aspectos trabalhistas, previdenciários e tributários das quantias espontaneamente pagas aos empregados, a título de prêmio por desempenho pessoal, por empresas públicas ou privadas. O projeto já havia sido aprovado pelas Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania do Senado Federal.

Pelo projeto, esses valores pagos por pessoas jurídicas, a título de prêmio por desempenho pessoal em projetos e metas preestabelecidas, não seriam considerados salário para qualquer efeito. E, portanto, não integrariam a base de cálculo de encargos trabalhistas ou sociais para incidência de contribuições previdenciárias ou do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O projeto ainda previa a tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, mediante retenção e recolhimento pela fonte pagadora com base na tabela mensal do Imposto de Renda.

Ao aplicar o veto constitucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que, da forma como foi redigido, o projeto permitiria o pagamento de remuneração indireta. E essa remuneração poderia ser suprimida ou reduzida a qualquer momento, além de inexistirem repercussões sobre as horas extras, FGTS ou qualquer outra verba devida ao empregado. Portanto, não integraria o salário a contribuição e não beneficiaria a aposentadoria, fragilizando os direitos do trabalhador sem garantia dos ganhos globais.

Ora, o Projeto de Lei visa incentivar a implementação de mecanismos focados no incremento da produtividade individual, base inquestionável do bem-estar geral do País e condição essencial à sua elevação aos níveis internacionais competitivos.

Tal mecanismo é normatizado em vários países e movimenta bilhões de dólares no mundo todo. Isso porque é favorável não só para as empresas que o utilizam, mas principalmente para os próprios trabalhadores ao estimular a economia num todo.

Vetá-lo é cercear, ceifar o trabalhador de um maior ganho, principalmente neste ótimo momento pelo qual passa a economia do País, quando os empresários estão muito mais propensos a dividir seus ganhos, recompensando quem com eles colaboram. Se for mantido esse empecilho, que se consubstancia na obrigatoriedade de arcar com mais ônus e, principalmente, com a cruel dúvida de manter tais pagamentos no futuro, certamente o procedimento mais cômodo e “seguro” será, simplesmente, não premiar o trabalhador. E quem é o prejudicado? Com certeza este, em primeiro plano, e depois, em caráter genérico, a própria economia do País.

Não podemos confundir os “prêmios por desempenho” com as demais verbas trabalhistas, que integram os salários dos trabalhadores, visto que tais prêmios possuem caráter personalíssimo, dependendo de cada profissional.

É verdade que há de se compreender a preocupação de nosso presidente, pois tais mecanismos de premiação poderiam se transformar em fontes de fraudes a direitos trabalhistas, previdenciários e fiscais por empresas mal-intencionadas. Todavia, os bons não devem continuar pagando pelos maus.

Se o Brasil mudou, como campeia a campanha eleitoral do governo, chegou a hora de acreditar que o brasileiro, até mesmo o empresário nacional, também mudou.

Adriana Saab é sócia do escritório Rodrigues Jr. Advogados e pós-graduada em MBA em direito empresarial pela FGV.

Opinião do leitor
“Buscando artigos e atividades que possam compor desenvolvimento para minha equipe, cheguei à Liderança. Ela fez toda a diferença para mim. Muito obrigada!”
Marcia Cardoso

Para pensar
“Direcione suas ações de uma forma fácil de memorizar, pelos princípios 6 Ds: descontração, direcionamento, desafio, diferenciação, desapego e determinação”
Gisela Kassoy

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