Qual é a parte que te cabe?
publicado em 17/01/2011
Olá.
Existem muitas coisas que caracterizam este país. Entre elas, podemos citar a tolerância com que nós, brasileiros, aceitamos as “transgressões leves” ou, se preferir, os pequenos delitos. Trata-se, além do futebol, samba e carnaval, de uma instituição nacional. Iniciarei este editorial citando as mais comuns:
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As famosas festinhas que não respeitam horários e incomodam os vizinhos.
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Furar filas nos mais diversos locais em que elas são necessárias e ainda se passar por esperto.
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Há aqueles que, ao primeiro sinal de engarrafamento, põem o carro no acostamento e seguem em frente.
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Há outros que “levam” pequenas lembranças de hotéis e companhias aéreas. Você que não leva nada (burro) está pagando por esses custos, sabia? As empresas, que não são burras, agregam esses valores nos preços finais.
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Os que pagam metade da tarifa do ônibus ao “acertarem” esse valor com o trocador e passam por baixo da roleta.
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E o pai que condena veementemente a cola, desde que ela seja praticada pelo filho do vizinho. Se o dele assim proceder, é esperteza.
Dessas pequenas transgressões, podemos evoluir para mais algumas. Nada, também, muito sério:
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Aquele dinheirinho que a gente paga para o guarda “esquecer” aquela infração de trânsito insignificante.
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O varejista que se aproveita da boa-fé do cliente. Você acha que isso não acontece? Então, vai ver que a famosa expressão “freguês de carteirinha” nasceu de geração espontânea! Aliás, em que outro país do mundo, além do Brasil, a palavra “freguês” é sinônimo de otário?
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Há os que exaltam o elevado índice de malandros que habitam o Congresso Nacional, mas que não perdem a oportunidade de comprar um CD pirata na feirinha da cidade.
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Aliás, o mesmo lojista que denuncia os vendedores de CDs piratas pratica o famoso caixa dois. Acho que ele se baseia no famoso ditado: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.
Como crimes – sejam eles pequenos ou não – quase sempre mantêm conexões com outros crimes, chegamos a coisas do tipo:
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O dublê de bom-moço e bicheiro Waldemir Paes Garcia, codinome Maninho, lembra? Foi assassinado anos atrás no Rio de Janeiro. Pobre cidadão. Comoção estadual. Claro, durante muitos anos o jogo do bicho foi visto como algo positivo, uma expressão lúdica da personalidade tupiniquim, uma transgressão leve. Afinal, as 1,4 mil bancas do jogo e os 7 mil caça-níqueis que ele controlava na cidade maravilhosa geravam empregos. Foi isso que me fez entender o porquê das diversas celebridades que se apresentaram no funeral do rapaz. Entre elas, estavam lá: Edmundo, “o Animal”; o “páginas amarelas” da Veja, Romário; o ídolo do Flamengo, Grêmio e Fluminense, Renato Gaúcho (atual técnico do Grêmio), além de famosos da sociedade carioca.
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Durante a campanha do desarmamento, houve indivíduos que construíram armas com o intuito de faturar um “extra”.
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Várias pessoas se apresentaram como vítimas do desabamento do Palace II. Também queriam ver se faturavam um “extra”. Ajudem-me a elucidar um dilema: quem é pior, o Sérgio Naya ou as falsas vítimas de seu empreendimento picareta?
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E o Gugu, famoso ex-apresentador do SBT, que autorizou uma falácia para milhões de telespectadores e continua livre, leve e solto. Lembra-se disso?
A cultura da esperteza e do trambique – só o leve, é claro – está tão arraigada em nossa sociedade que ser um cidadão modelo exige que se reme contra a maré ou que se beire a santidade. Não à toa, a figura do malandro virou até ópera. Por essas e outras, passei a diferenciar esperteza de inteligência, apesar de serem sinônimos.
Para mim, esperto é o cidadão que vive de pequenos golpes e vai passar toda a sua vida pensando no curto prazo e escapando de seus perseguidores – como o personagem Sísifo, da mitologia grega. O inteligente é aquele cidadão que vai desenvolver sua vida de forma a não ter de aplicar pequenos golpes nem passar todo o tempo tentando burlar a lei. Ele vive para o longo prazo e dorme com a consciência tranquila. Por mais que, muitas vezes, passe por burro, freguês e otário.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Júlio Clebsch
Gerente editorial da revista Liderança
julio@lideraonline.com.br
Artigo da semana
Como ser mais criativo em 2011
Por Anderson Rocha
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Muitos acreditam que, quanto mais inteligente, mais criativo você será. É importante ressaltar que a criatividade não é função direta da inteligência. Na realidade, é ver o que todos já viram e pensar sobre isso de maneira que ninguém fez antes.
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Alguns acreditam que as pessoas nascem criativas e que criatividade não pode ser aprendida. É verdade, todas as pessoas nascem criativas. No entanto, pode-se desenvolver aptidões que liberam melhor o nosso potencial criativo. Ela pode ser aprendida, assim como alguém aprende a jogar tênis ou tocar bateria.
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Outro mito diz que as ideias criativas surgem como lampejos ou clarão, semelhante àqueles dos relâmpagos. Persistência e concentração são pontos-chave para a criatividade. Não dá para ter um lindo jardim antes de preparar adequadamente o solo.
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Muitos creem que a verdadeira criatividade é a que se tem nas artes e ela tem pouca aplicação nos negócios. Isso é falso. Há décadas se tem constatado que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) das nações mais desenvolvidas se deve principalmente à pesquisa e ao desenvolvimento de novos produtos e serviços que não existiam nos anos precedentes.
De acordo com a Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das mais conceituadas universidades do mundo, em recente pesquisa, 75% do PIB do Japão em 2020 será de produtos ou serviços que não existem ainda.
A criatividade é o maior capital dos países ricos. Eles vivem, literalmente, de ter ideias. A criatividade está enormemente ligada ao poder. Quando ela é muito usada, as empresas, organizações, países e as pessoas são poderosos.
Algumas expressões que inibem a criatividade:
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“Essa ideia é ridícula.”
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“Não é adequada a nossa realidade.”
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“A mudança é muito radical.”
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“Sempre fizemos assim e sempre deu certo.”
Dicas para melhorar e desenvolver a criatividade:
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Criatividade é uma questão de acreditar em você e se achar capaz, desafiar o jeito tradicional de fazer as coisas, habituar-se a pensar diferente e questionar: “Por que desta maneira? Não haverá outra forma? Como eu posso? E se?”. Uma pessoa criativa é uma caçadora de ideias novas e tem um desejo ardente para melhorar as coisas.
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Não se acomode. Sempre existe uma maneira de fazer melhor, mais rápido ou com menor custo aquilo que já foi feito. Se você não pensar nisso, alguém irá pensar.
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Seja curioso. Evite reproduzir tarefas mecanicamente, busque as causas, os porquês e as implicações. Muitas ideias surgem daí, elas não saem do nada. Associe, adapte, substitua, modifique, reduza. As combinações são infinitas.
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Pegue objetos ou ideias totalmente diferentes e tente fazer uma conexão. Criatividade é também a habilidade para fazer conexões que outros não conseguiram.
Existem duas alternativas: ficarmos nos queixando porque as coisas já não são tão fáceis como antigamente ou usarmos a capacidade criativa para descobrir novas respostas, caminhos, soluções e ideias.
Anderson Rocha é palestrante e professor de cursos de graduação e pós-graduação.
Site:
www.andersonrocha.com.br
Para pensar
“A liderança mais eficaz é conseguida por meio de exemplo, e não de lei”
John Maxwell
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