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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Conexão

publicado em 08/06/2011

Olá.

Saber se conectar com o público-alvo é receita garantida para o sucesso de uma empresa. Aliás, Conexão é um dos mandamentos do Decálogo do Cliente, metodologia criada e desenvolvida pelo grupo Small Giants (www.smallgiantsbrasil.com.br), movimento internacional presente em diversos países que objetiva transformar pequenas e médias empresas em Pequenas Gigantes.

A Copag, líder no mercado de baralhos, compreendeu isso e segmentou suas ações mercadológicas para cativar todos os tipos de públicos que são alvos de interesse da marca. Isso sem mexer no preço e na qualidade de seus produtos. A seguir, apresento quatro ações da Copag que abriram canais de comunicação e a conectaram, à sua maneira, com os diferentes públicos objetivados pela empresa.

  1. Sabe o que acontece quando você desafia um grupo de idosos para uma partida de cartas? Eles nunca vão recusar. Os jogadores mais experientes são respeitados e representam um público fiel da Copag. Mas isso não foi motivo para deixá-los sem uma promoção de marketing. Alguns idosos foram selecionados para serem “promotores” da marca. A função deles era ficar em locais predeterminados jogando cartas e desafiando pessoas para uma partida. Como as pessoas mais velhas e com tempo livre dificilmente dizem “não” para mais uma partidinha, ficavam horas com o baralho e a marca Copag em mãos. “Além de bons resultados e uma ação completamente diferente, tivemos a inclusão social de pessoas que normalmente não são requisitadas nesse tipo de ação”, conta Ana Carolina, diretora de pesquisa e desenvolvimento.
  2. Mesmo quem nunca andou pela Rua 25 de Março, em São Paulo, sabe que ela é abarrotada de gente comprando e negociando produtos. Em vez de colocar mais pessoas para vender e virar mais uma marca disputando a atenção do cliente, a Copag distribuiu 300 camisetas para pessoas que estavam trabalhando na rua com os dizeres: “Já comprou seu baralho hoje?” e “Já achou sua carta premiada hoje?”. Algum tempo depois, um curinga passava presenteando com brindes cada indivíduo que vestia a camiseta da Copag.
  3. Faça chuva ou faça sol, quem está em férias na praia tem tempo de sobra para jogar cartas. Pensando nisso, a Copag foi até os veranistas, com carrinhos semelhantes aos que se utiliza para vender sorvetes, oferecer baralhos nas praias de Enseada e Pitangueira, no Guarujá, litoral de São Paulo. Isso também ajudou a aumentar as vendas do produto.
  4. A Copag também acertou quando decidiu dar mais atenção ao público infantil. Em parceria com a Mkt Virtual, agência de internet e marketing virtual, a empresa criou um mascote – o Copaguinho. Ele tem uma história e um objetivo: encontrar um baralho mágico e tornar-se um super-herói. Tudo isso está disponível em um site (www.copaguinho.com.br), no qual as crianças podem interagir com o personagem, que também marca presença no Twitter, Orkut e Facebook. Além de jogos, sites e mídias sociais, Copaguinho tem um blog em que apresenta os produtos da empresa voltados para o público infantil. A ação conta também com anúncios de televisão em canais de desenhos animados.

Sua empresa pode fazer algo semelhante? Qualquer companhia pode segmentar seu público para atendê-lo de forma personalizada. Basta compreendê-lo e saber como se conectar a ele. Pense a respeito.

Um grande abraço e até a semana que vem!

Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br

P.S.: este artigo é uma edição da matéria original Todos querem jogar cartas, de Evelise Toporoski, publicada na revista Liderança de junho de 2011.
 

Artigo da semana
O profissional certo na empresa certa

“Trabalhar fora se resume a uma perversa equação: tempo pessoal = longas horas passadas no escritório + trânsito caótico das grandes metrópoles. O resultado traz um saldo preocupante. Sobram somente de três a quatro horas diárias, as quais precisamos nos dedicar, ainda, à nossa família, amigos, atualização profissional, compras de emergência, saúde, alimentação, últimos e-mails do dia e, ufa, já ia me esquecendo, a nós mesmos.
   
Em minha carreira como executivo, pude conviver com os mais variados tipos de profissionais, que, creio, conseguiria categorizar em quatro grandes grupos. Vale salientar que uma pessoa poderá possuir uma combinação de uma ou mais características, porém sempre haverá uma que se sobressairá perante as demais. Identificar-se é o primeiro passo antes de encontrar a empresa perfeita para trabalhar.
  1. Empreendedor – De personalidade forte e centralizadora, atua com base na intuição e experiência acumulada. Sente-se motivado com novos projetos, investindo energia para que possam ser concluídos. Não obstante, desafia e questiona as regras e os procedimentos, caso sinta que possam atrapalhar a consecução de seus objetivos.
  2. Carreirista – Ambicioso, analisa suas ações com base nas repercussões que possa ter em sua carreira. Gosta do jogo de poder e política existente nas empresas. Em geral, articula-se muito bem entre as pessoas e departamentos. Estratégico, visualiza seu progresso com base em cargos e aumento de poder, estipulando metas e objetivos para seu cumprimento.
  3. Autônomo – Trabalha muito bem sozinho, solicitando pouca orientação sobre como fazer as atividades. Tem por hábito entregá-las dentro do prazo solicitado, seguindo um padrão de qualidade. Perfeccionista, gosta de fazer as coisas do seu modo, não aceitando muito bem as críticas. Pode sentir-se desconfortável quando exposto ao grupo.
  4. Processual – Metódico e organizado, prefere seguir regras, convenções e procedimentos na realização de suas tarefas. Costuma ser um especialista competente em sua área de atuação, fruto de sua dedicação e estudo sobre o tema. Sente-se pouco à vontade em ambientes incertos ou em constante modificação.
Creio que você tenha conseguido se encaixar em um dos grupos. Chegou então a hora de encontrar a empresa mais adequada ao seu perfil, o que aumentará suas chances de sobrevivência e sucesso no mundo corporativo. Para ajudá-lo, utilizarei a teoria do consultor de negócios Ichak Adizes, que desenvolveu um interessante estudo sobre o ciclo de vida das organizações, classificando-as em seis principais grupos:
  1. Desbravamento – Uma ideia, um plano de negócios e um empreendedor. Sobram vontade e aventura nessa fase caracterizada pelo alto risco de morte prematura. Vale salientar que Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg e seus sócios, hoje milionários, começaram seus negócios na garagem.
  2. Faz-faz – Com as primeiras vendas, chegam os primeiros funcionários. Sem estrutura organizacional, cargos, salários, políticas e procedimentos definidos, são necessários muito improviso e jogo de cintura para que os clientes e prazos possam ser atendidos. Por outro lado, sobram autonomia e poder de decisão.
  3. Adolescência – A empresa começa a se profissionalizar. Departamentos, cargos e funções são criados. A figura do empreendedor começa a se dissipar na nova estrutura organizacional. É uma época propícia para criar procedimentos, processos e normas, os quais serão implementados na empresa em crescimento.
  4. Plenitude – É a fase em que toda empresa quer chegar. Com fundamentos sólidos e princípios éticos, desenha o futuro a partir do presente. Com cargos e departamentos definidos, oferece segurança e bons benefícios. Há espaço para praticamente todos os tipos de profissionais, apesar da limitação da autonomia em alguns casos.
  5. Aristocracia – A empresa e seus funcionários adotam uma postura arrogante diante do mercado e dos clientes, resultado de um passado de glórias. Os procedimentos e padrões se espalham pela empresa, assim como os feudos para defendê-los. Demissões não justificadas são frequentes nessa fase.
  6. Fossilização – É o próximo passo da empresa aristocrática, caso nada seja feito na etapa anterior. Torna-se engessada e lenta, buscando o sucesso do passado através de fusões e aquisições. Não raro, seus produtos e serviços tornam-se obsoletos. Pode ser uma grande oportunidade aos que possuem perfil empreendedor.
É importante mencionar que o mercado no qual a empresa se insere terá grande influência sobre o ciclo de vida e a duração de suas etapas, uma vez que há ambientes superágeis e competitivos, enquanto outros são mais lentos e tradicionais. De qualquer maneira, eleger um local que se adéque ao seu perfil fará toda a diferença, não apenas no seu desempenho profissional, mas também em sua qualidade de vida. Pense nisso antes de aceitar uma nova proposta de emprego. Afinal, ninguém quer tornar sua equação ainda mais perversa.

Marcos Morita é mestre em administração de empresas e professor da Universidade Mackenzie. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios.
E-mail: professor@marcosmorita.com.br
Site: www.marcosmorita.com.br

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