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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Aprimore suas contratações

publicado em 06/07/2011

Olá.

Paul Spiegelman é CEO da Beryl Companies, líder global da Comunidade Small Giants e colunista da revista Liderança. Para ele, há uma relação direta entre a cultura de negócios de uma companhia e o seu sucesso financeiro, e as pessoas comandam os dois. Com isso em mente, ao contratar, é mais inteligente focar em encontrar alguém que se encaixe na cultura da empresa do que em alguém com certas competências específicas. Spiegelman baseia 60% das decisões de contratação pelo “encaixe” do candidato com a empresa e 40% pela sua competência.

Aqui estão dez dicas, segundo o colunista, que o ajudarão a contratar melhor e a reduzir sua margem de erro na seleção de colaboradores:

  1. Faça um processo de contratação difícil para gerenciar de maneira fácil – Na contratação, o objetivo nunca deveria ser apenas sentar alguém em uma cadeira vaga. Tenha paciência e contrate a pessoa certa para a função.
  2. Olhe primeiro internamente – Considerando que os funcionários já são parte da família, há chances maiores de que dê certo.
  3. Chame os candidatos à vaga para participarem de muitas entrevistas – Elas devem ser feitas com o gerente, representantes de RH e pessoas acima e abaixo da posição para a qual se está contratando. Ao unir pontos de vista de vários níveis da organização, pode-se ter uma maior possibilidade de que o candidato se encaixe na vaga.
  4. Assegure-se de que as entrevistas terão perguntas relacionadas com a cultura da empresa – Essas são, geralmente, questões de base comportamental e há muitos guias no mercado que podem ajudar.
  5. Peça aos candidatos que façam um teste de personalidade – Mas mantenha sua expectativa razoável. Não há um teste ideal.
  6. Comunique a importância da cultura organizacional e dos valores – Tenha certeza de que eles entendam como esses elementos impactam na decisão de contratação e demissão, de maneira que possam recomendar candidatos que se adaptarão à cultura organizacional.
  7. Recompense os funcionários por indicações para vagas – Crie um programa que reconheça os funcionários que vivem a cultura da empresa e falam dos valores organizacionais fora das paredes da empresa.
  8. Proveja coaching para funcionários que destoam da cultura da empresa – Algumas pessoas podem mudar, se o comportamento delas não estiver muito enraizado.
  9. Promova revisões anuais da cultura organizacional – Elas permitem ao grupo do gerente sênior determinar quais indivíduos possuem problemas para se adequar ou descobrir se os outros desenvolveram percepções erradas sobre certos indivíduos. Você também pode identificar “mestres de adaptação”, que podem servir como mentores. Ao graduar o objetivo da performance do funcionário, tenha o “encaixe” sempre em mente. De 20% a 50% da avaliação do funcionário deveria ser baseada na aderência aos valores da companhia.
  10. Não demore demais para agir – Se um funcionário constantemente ultrapassa o limite da cultura da empresa, não tenha receio de dispensá-lo. Essa é uma posição difícil de manter em uma companhia de caráter familiar. Mas, assim como contratar o funcionário errado afeta o moral e impede a sua companhia de atingir objetivos, mantê-lo na empresa é ainda pior.

Um grande abraço e até a semana que vem!

Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br

P.S.:este artigo é uma reedição da coluna Gestão, de autoria de Paul Spiegelman, publicada na revista Liderança de julho de 2011.
  

Artigo da semana
Como está a sua “construção mental”? 

Um estudo desenvolvido pela pesquisadora Carole Peterson, da Memorial University of Newfounland, Canadá, revelou que todos nós, ainda crianças, perdemos parte das memórias de nossa infância. Divulgada recentemente, a pesquisa, que ouviu histórias de mais de 140 crianças entre 4 e 13 anos, mostrou que não ficamos “esquecidos” com o passar dos anos, ao contrário, as memórias que não são revividas na infância são perdidas ainda nesse período.

A neurociência comportamental mostra que ocorre algo parecido com alguns tipos de inteligências ou talentos: o que é reforçado se torna parte da estrutura mental da criança e, mais tarde, do adulto. Já o que não é estimulado acaba sendo, muitas vezes, perdido ou sub­aproveitado. Essa pesquisa abre uma oportunidade para debatermos um assunto importante: como estimular os diferentes tipos de inteligência em crianças e mesmo em adultos?

Imagine que você construiu um prédio (sua personalidade) que está estruturalmente pronto para ser habitado. Mas ainda falta o acabamento: a pintura, os móveis e a decoração. O Quociente de Inteligência (QI) tem mais a ver com a estrutura e a Inteligência Emocional (QE), com as habilidades que poderão ser utilizadas para o “acabamento” da personalidade. Essas diferentes inteligências são representadas pelas habilidades cognitivas – a inteligência lógico/matemática (QI) – e pelas não cognitivas – a chamada Inteligência Emocional (QE).

O QI, apesar de ter forte componente genético, pode ser aperfeiçoado com estudo formal, estímulo e esforço aproximadamente até os 12 anos de idade e, depois disso, pouco mudará. Ou seja, os pais precisam estimular cognitivamente os filhos ainda crianças. Não adianta cobrar deles um alto desempenho em matemática, por exemplo, na adolescência, pois a partir daí dificilmente um indivíduo aumenta significativamente seu QI. A estrutura do prédio, nesse sentido, torna-se fixa.

Já a Inteligência Emocional se molda com hábitos, ensinamentos e exemplos aprendidos durante a infância e reforçados na adolescência. Só que, ao contrário do QI, o QE pode continuar a se desenvolver durante toda a vida. Seria como o acabamento do prédio, você melhora a decoração, mas as paredes continuam no mesmo lugar.

Uma pessoa com baixo QE tem um autoconhecimento limitado e não avalia o impacto que seus comportamentos causam nos demais. Costuma ser intolerante e egoísta, tendo enorme dificuldade em manter relacionamentos estáveis e de se ajustar ao mercado de trabalho. Por outro lado, pessoas com alta inteligência emocional têm um bom autoconhecimento, costumam ser flexíveis, lidam bem com as diferenças e tendem a escolher carreiras em que possam aproveitar melhor seus talentos.

As pessoas com alto QE, mas com QI mediano, compensam isso com esforço e dedicação em outras áreas que tenham mais aptidão. Além de serem produtivas e assertivas, costumam ter um excelente network, o que facilita o bem-estar pessoal e profissional. Aumentar o QE não só é desejável como possível. Você pode aprimorá-lo com três passos básicos:
  1. Autoconhecimento Analise com sinceridade seus principais talentos e fraquezas.
  2. Autoaceitação A pessoa que se aceita tem discernimento para continuar evoluindo. O ideal seria investir 80% do tempo livre para aprimorar seus pontos fortes e gastar os outros 20% nos pontos fracos, que limitam seu crescimento profissional/pessoal.
  3. Não se acomode Aceitar-se não significa ser passivo e omisso. É importante traçar metas e procurar ambientes em que sua personalidade (estrutura + acabamento) possa ser mais bem utilizada.
Todo mundo, sem exceção, deixa um rastro durante a vida, e esse passado aponta para uma clara tendência futura. A personalidade, ao contrário do que muitos pensam, é relativamente previsível. As empresas de alta performance buscam pessoas com um bom rastro e uma construção mental saudável. Aprimore o desenvolvimento de seu QE. O futuro de sua carreira agradece.

Eduardo Ferraz é consultor em gestão de pessoas e especialista em treinamentos e consultoria in company, com aplicações práticas de neurociência. É pós-graduado em direção de empresas pelo ISAD PUC-PR e especializado em coordenação e dinâmica de grupos pela SBDG. Autor do livro Por que a gente é do jeito que a gente é?, da Editora Gente. Para mais informações, acesse o site: www.eduardoferraz.com.br

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