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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Incentivos e Resultados nº 2

publicado em 13/07/2011

Olá.

A seção Incentivos e Resultados da revista Liderança traz, mensalmente, uma série de ideias, sugestões e iniciativas que você e sua empresa podem colocar em prática. Apresento três delas – é a segunda vez em que faço isso neste espaço – que foram publicadas na edição deste mês. Você pode conferir diversas dicas como estas, visitando nosso site: www.lideraonline.com.br.

1 - Remuneração por meio de competências
Com o objetivo de reconhecer os esforços individuais de seus colaboradores, a Marelli, fabricante de móveis corporativos no Rio Grande do Sul, decidiu remunerá-los de acordo com as competências, habilidades e desempenho pessoais. A ideia surgiu há mais de dez anos, hoje está consolidada e dá retorno para a empresa, que consegue direcionar os objetivos dos funcionários aos da organização.

Para colocar o projeto em prática, a empresa teve que, primeiramente, divulgar a novidade entre os funcionários, explicando o sistema que seria adotado. O segundo passo foi fazer a descrição dos cargos, o que permitiu que os funcionários soubessem claramente o que a empresa esperava deles.

As próximas etapas foram hierarquizar os cargos por pontuações e definir quais competências e habilidades seriam avaliadas. No final do projeto, a empresa passou por um período de teste para ter uma ideia de quanto seria necessário investir no programa.

Segundo a Marelli, a remuneração por meio de competências diminuiu a rotatividade na empresa, possibilitou que os colaboradores tivessem feedback sobre suas atividades com mais frequência e permitiu o crescimento horizontal dos colaboradores. Como a empresa tem poucos funcionários, as possibilidades de crescimento vertical são pequenas, mas, com a nova estratégia, os funcionários agregam conhecimentos e crescem horizontalmente.

2 - “Libra Sisterlina” para premiar sugestões
A Todeschini, uma das maiores fabricantes de móveis planejados do Brasil, resolveu criar uma moeda própria, chamada Libra Sisterlina, para reconhecer as boas ideias sugeridas e implementadas na empresa. A moeda tem cotação atrelada à realização das metas dos Indicadores de Desempenho do Programa Compartilhar (PPR), definidas a cada semestre. Ou seja, se os desempenhos não estão indo bem, a cotação cai, se tudo estiver crescendo, a cotação sobe – exatamente como no mercado financeiro.

É uma maneira de incentivar os colaboradores a apresentarem boas ideias para melhorar os indicadores e os programas relacionados à qualidade de produto, à produtividade, à lucratividade, aos índices de perdas, à assistência técnica, à qualidade de vida no trabalho e clima organizacional, aos desperdícios e à satisfação dos clientes.

3 - Incentivos diferentes para reter a geração Y
A Procter & Gamble precisou investir em incentivos diferenciados para conseguir reter os funcionários que estão na faixa etária entre 20 e 30 anos. Eles perceberam que o índice de rotatividade desses jovens era de quase o dobro (9,8%) do índice geral da empresa (que é de 5,6%) e resolveram agir.

Os dois principais atrativos da empresa (estabilidade e oportunidade de trabalho no exterior) não eram mais tão interessantes para os jovens quanto já o foram e, diante disso, a primeira decisão foi melhorar o recrutamento, procurando profissionais que realmente valorizam o que a empresa oferece.

Em seguida, depois de pesquisas com os próprios jovens sobre o que os motiva, chegaram à conclusão de que os profissionais da geração Y gostam de se diferenciar da multidão – e isso significa ter liberdade para se vestir, decorar a estação de trabalho, utilizar o MP3 e o Messenger. A P&G decidiu fazer algumas concessões e liberou o uso de calça jeans. Eles também se animam com a flexibilidade de horário e a empresa permitiu esse benefício desde que cumpram um expediente-núcleo entre 10 e 16 horas.

A P&G também criou momentos de descontração com videogame, mesa de pebolim, ioga e caminhadas. Somado a isso, a empresa estimula o rápido crescimento (o tempo médio de permanência em cada função é de dois anos e meio) e paga salários acima da média de mercado. O resultado é que os números de rotatividade de profissionais abaixo de 30 anos se aproximou do patamar médio da empresa, reduzindo gastos de treinamento com novos profissionais.

Um grande abraço e até a semana que vem!

Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br
  

Artigo da semana
Existe uma regra para saber a hora de parar?

Há alguns anos, havia no mundo corporativo um ranço, posso até chamar de uma regra, que pessoas com mais de 40 anos já estavam fora do mercado de trabalho e deveriam se aposentar. De fato, as pessoas que se aproximavam dessa faixa etária já programavam sua aposentadoria, pensavam em o que fazer com o fundo de garantia, se comprariam um sítio no interior e viveriam pescando, se investiriam em um novo negócio e continuariam no dia a dia agitado da metrópole, ou seja, tinham dúvidas sobre o que fazer, mas tinham a única certeza de que em curto período de tempo estariam fora do mercado formal de trabalho.
 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aumentou o número de idosos no Brasil. Já há mais pessoas na terceira idade do que crianças no nosso país. As regiões sul e sudeste são as que mais concentram essa fatia da população. E, embarcada nessa realidade, a situação da empregabilidade também mudou. Já faz algum tempo que os profissionais com mais de 40 anos têm espaço garantido no mercado de trabalho e, como o assunto é “fenômeno”, um em especial vem acontecendo nos últimos dez anos.
 
Com o aquecimento do mercado e a consequente alta no emprego, profissionais com 40, 50 e 60 anos estão a todo vapor e em plena atividade profissional. Existe espaço para todos. Os experientes mais graduados ocupam posições de liderança nas empresas e passam aos mais jovens, que chegam às empresas muito bem formados, porém carentes de vivência coorporativa, toda sua experiência, sua bagagem, seus acertos e seus erros. E essa mescla entre juventude e experiência tem trazido ganhos significativos para as organizações. Outros profissionais com essa faixa etária atuam como consultores, aplicando sua experiência em projetos pontuais, nos quais não existe a necessidade de horários rígidos e de rotina. Os menos graduados também estão em plena atividade, principalmente em funções em que o contato com o público é exigido, como em lojas de cadeias de fastfood, livrarias e pizzarias, entre outros. Nessas atividades, eles explicam para o público detalhes sobre os produtos vendidos, já que têm paciência e educação para dar as explicações. Em contrapartida, o público também tem para com eles a mesma paciência e educação. Como resultado, as empresas têm clientes mais satisfeitos, o que é bom para todos.
 
Agora, se a regra de parar aos 40 não existe mais, quais são as regras que valem? Eu conto:
  • Trabalhe todos os dias como se fosse o seu primeiro dia na empresa, com dedicação, afinco, vontade e felicidade.
  • Mantenha-se atualizado com as tendências de sua área.
  • Saiba o que os mais jovens estão fazendo, quais tecnologias e instrumentos eles usam para se comunicar. Entre no mundo deles, pois você aprenderá muito.
  • Mantenha sempre o bom ambiente de convívio com os colegas de trabalho, deixando de lado o ar “sabichão” de quem já passou por muitas experiências.
  • Apresente soluções, evite problemas. Uso aqui a sabedoria do “filósofo” Bruce Willis, bem apresentada por um de seus personagens: “Se você não faz parte da solução, por favor, não faça parte do problema”.
Se você faz a maioria das ações que citei, com felicidade e prazer, independentemente de ter 40, 50 ou 60 anos, você ainda tem muitas partidas e muitos campeonatos para jogar. Agora, se na sua empresa ou em sua atividade você não tem mais essa garra, se lhe falta vontade e está infeliz, chegou a hora de pendurar as chuteiras e preservar sua imagem de campeão que construiu ao longo dos anos.

Cezar Tegon é graduado em estudos sociais, administração de empresas e direito. É presidente da Elancers e sócio-diretor da Consultants Group by Tegon. Com experiência de 20 anos na área de RH, é pioneiro no Brasil em construção e implementação de soluções informatizadas para RH. Diretor de novos produtos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), é membro de criação do Conarh.

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