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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Dinheiro não é tudo

publicado em 31/08/2011

Olá.

A Ticket conseguiu o que muitas empresas ainda sonham: funcionários engajados com a missão dela, sem pensar que salário é o mais importante de tudo. Como isso foi possível? Eles repensaram toda a estrutura organizacional. Entenderam que, para promover a retenção de talentos (sem focar em dinheiro), era preciso melhorar o processo de remuneração. “Construímos um modelo muito estratégico, que se alinha às diretrizes da organização, apoia a empresa na gestão dos custos e na retenção de talentos”, conta Arnaldo Moral, do RH da empresa.

Veja o quadro a seguir para saber como funciona o modelo estratégico de gestão de pessoas da Ticket.

Posição Desempenho Competências Cultura e Valores Satisfação dos Colaboradores
Cargo + Remuneração Contrato de Gestão Avaliação anual Projeto empresa PSPC Programas e ações internas
Papéis e responsabilidades bem definidos (conhecidos pelos colaboradores) Metas organizacionais Departamentais individuais Desenvolvimento individual
Capacitação e certificação
Dizer = Praticar Promoção e incentivo à satisfação dos colaboradores

Como você pôde constatar, todos os funcionários da Ticket sabem exatamente quais são as responsabilidades do seu cargo e o seu índice de remuneração. Na questão do desempenho, existem as metas organizacionais com as quais todos devem estar alinhados. As metas departamentais significam o que cada área da empresa deve fazer e metas individuais, o que cada profissional deve cumprir.

No item das competências, todos passam por uma avaliação anual, revisando os fatores já citados, como metas organizacionais, departamentais e individuais. Nesse estágio, há a capacitação dos colaboradores e as devidas certificações.

Na parte de cultura e valores, os colaboradores sabem que o PSPC significa Pessoas, Clientes, Acionistas e Comunidade – e esse ciclo não pode ser esquecido por ninguém, pois é ele que dá a base para a empresa.

Por fim, para ser uma Great Place to Work, como a Ticket vem sendo, eles entenderam que é fundamental ter programas e ações internas para promover a satisfação dos colaboradores.

“Pagamos a média do mercado. Só que vendemos ao colaborador um pacote, que contém 80% do salário mais benefícios. Colocando isso numa balança, significa mais de 100% da remuneração dele”, afirma Arnaldo.

O funcionário ganha de acordo com as suas atividades e a remuneração varia conforme os benefícios, ou seja, ele tem 80% do salário fixo e o restante é compensado com benefícios. “Não que isso seja uma perda, pelo contrário, o funcionário tem mais de 100% da sua remuneração. Esse 80% não é abaixo, é o valor que o mercado paga, só que aqui entendemos que o funcionário merece um pouco mais”, diz.

Sua empresa tem uma estratégia diferenciada e criativa de remunerar colaboradores? Se sim, envie-a para mim. Terei o maior prazer em divulgá-la.

Um grande abraço e até a semana que vem.

Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br

P.S.: este artigo é uma reedição da matéria Dinheiro não é tudo, produzida por Cristiane Dias, e publicada na edição de agosto de 2011.
 

Artigo da semana
Executivos globalizados vão mais longe

O mercado quer profissionais completos em todos os sentidos, ou seja, cursos de formação, especialização e línguas já não bastam. O que as empresas buscam são executivos globalizados – e por “globalizados” não se entende viajados e com cursos no exterior. Um executivo globalizado de verdade tem bagagem cultural conquistada ao longo da vida.
 
Qualificação profissional sozinha não sustenta executivos de carreira internacional. Para terem sucesso no Brasil, em multinacionais, ou no exterior, os profissionais devem ser qualificados culturalmente em relação ao comportamento. “Acostumados a transitar entre diversas culturas, precisam estar atentos não somente ao que diz respeito à sua área de atuação, outros idiomas, mas também aos pequenos gestos de comportamento de cada lugar, conhecer algumas regras básicas de cada país, como política, culinária e cultura local – conhecimento que pode facilitar o relacionamento com outros executivos”, explica Gutemberg de Macedo, diretor do Instituto Gutemberg.

Os executivos brasileiros ainda são provincianos em determinadas questões, não conhecem os preceitos básicos de alguns países que visitam, muitas vezes debochando da cultura local sem nem ao menos tê-la vivenciado. “Alguns executivos viajam a trabalho sem conhecimento da história local, informações básicas que estão nos noticiários diariamente”, diz Gutemberg. “Não sabem se o país já passou por uma crise econômica”, afirma.

É comum o indivíduo interagir com pessoas de diversas partes do mundo, por meio da tecnologia. Então, não precisa ser complicado conhecer, por exemplo, os pilares da empresa em que atua, como a corporação funciona em outros países, quais são as políticas implementadas.

Para Gutemberg, a diversidade cultural global não é um slogan, mas sim uma realidade diária do ambiente de trabalho. Ela afeta a maneira como se interage com as pessoas ao redor.

Como se manter globalizado
É preciso pensar de maneira global. Saber o que acontece além das fronteiras do país e avaliar as ameaças e as oportunidades em potencial. Uma significativa parcela de profissionais está desinformada a respeito dos países com os quais desenvolve negócios. Ela não conhece a sua história, suas leis, costumes, sistema político, etc.

É essencial ser curioso, adaptável e aprender a viver com a incerteza e a ambiguidade. Compreender que a economia é, ao mesmo tempo, nacional e global; aceitar que as pessoas são as mesmas, mas diferentes; respeitar outras culturas, mantendo-se, ao mesmo tempo, fiel aos valores; buscar o alinhamento da equipe de trabalho, mas tolerar diferentes opiniões; ser assertivo como indivíduo e promover o trabalho em equipe; usar comunicações virtuais simultaneamente ao aprofundamento de relacionamentos reais; reconhecer que o aprendizado de novos idiomas, apesar de difícil, gera o conforto do conhecimento multicultural.

Aprenda a olhar o mundo com olhos diferentes. Pense não só a respeito das suas visões sobre diferentes etnias, culturas, gastronomia, filosofia, música, literatura, arte, arquitetura e religião. Agindo assim, será considerado um verdadeiro cidadão do mundo – um executivo genuinamente global.

Teste o seu Quociente Cross Cultural (QCC) e identifique se é ou não é um profissional global.
  • Que jornais ou revistas internacionais você lê diariamente?
  • Você tem o hábito de ver canais internacionais de TV? Quais são os assuntos que você mais aprecia? 
  • Com que países você interage em seu trabalho?
  • Qual é a população desses países?
  • Qual é o sistema político dominante – monarquia, democracia, ditadura?
  • Quem são os principais líderes políticos, religiosos, empresariais e acadêmicos desses países?
  • Quais são as religiões dominantes? Você sabe quais são os princípios que norteiam as suas convicções religiosas?
  • Qual é o seu Produto Interno Bruto (PIB)?
  • De que recursos naturais eles dispõem em abundância?
  • Qual é o nível tecnológico, de desenvolvimento humano e de corrupção desses países?
  • Você já residiu, estudou ou trabalhou no exterior? Em que países e qual foi a duração de sua permanência?
  • Você viaja com frequência ao exterior? Quais são os lugares preferidos de visita? Lembre-se de que você não se torna um profissional global simplesmente porque viaja a outros países.
  • O que você aprendeu durante essas visitas que enriqueceram sua visão global?
  • Quais são os livros mais importantes sobre globalização que você leu?
Sobre o Instituto Gutemberg – O Instituto Gutemberg promove cursos para desenvolvimento de executivos, em diversas fases de carreira. O Instituto prepara cursos customizados, conduzidos de acordo com a necessidade e conveniência das empresas – in company ou no auditório do próprio instituto.

Para pensar
 “Empresa alguma é melhor do que o seu administrador permite”
Peter Drucker

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