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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Programa de sugestões

publicado em 13/10/2011

Enquanto muitos funcionários ficam mais que felizes ao dar sugestões, outros, entretanto, por falta de confiança ou timidez, deixam de compartilhar suas ideias com seus colegas e líderes. E a sugestão deles não é menos importante ou pior que a dos outros funcionários que têm mais voz na organização. Pelo contrário, pode até ser melhor.

Sistema de sugestões é uma das partes importantes de qualquer empresa. É preciso cada vez mais pedir que os funcionários participem das decisões, deem ideias, sugiram melhorias, independentemente de quem são ou do cargo que ocupam.

O envolvimento pessoal, ou a falta dele, é um fator crítico para o sucesso ou o fracasso de qualquer liderança. Já está mais que comprovado que funcionários que se sentem parte da empresa participam ativamente das decisões, processos e estratégias, ficam mais energizados, são mais produtivos e diminuem o turnover.

Aqui estão algumas dicas para implementar um processo de sugestões (via e-mail, por meio de papel, na famosa caixa de sugestões ou da maneira que você achar mais conveniente para seus funcionários):

  • Elimine o preconceito de que todas as pessoas assalariadas não estão interessadas em sugerir melhorias.
  • Certifique-se de que todas as sugestões sejam lidas e avaliadas.
  • Comunique o que aconteceu com cada uma das ideias, por exemplo: se ela vai ser implementada ou não, por que não (a própria pessoa que sugeriu a ideia pode ajudá-lo a superar algumas barreiras da implementação), quando, como, etc.
  • Tente usar o máximo de sugestões possíveis.
  • Agradeça pessoalmente cada uma das pessoas que contribuíram, independentemente da ideia dada.
  • Divulgue o impacto positivo das ideias implementadas para incentivar ainda mais a participação das pessoas.
  • Enfatize que qualquer ideia é bem-vinda, e não apenas aquelas que são grandes, como economizar X%, aumentar as vendas em Y%. As pequenas também são válidas e contribuem para a organização.
  • Gaste sua energia arranjando formas de implementar a ideia, e não razões para rejeitá-la.
  • Certifique-se de que a missão e os valores da empresa estejam bem internalizados entre a equipe para que as sugestões estejam mais de acordo com a estratégia da empresa.
  • Com o tempo, vá “educando” seus funcionários na arte de sugerir ideias. Peça que estejam relacionadas a um resultado claro, como aumentar a produtividade, economizar tempo ou dinheiro, potencializar oportunidades, simplificar de alguma forma a vida deles ou a dos clientes ou reduzir processos sem danificar a qualidade.

Veja alguns exemplos simples e rápidos de programas de sugestões bem-sucedidos:

  • O CEO de uma indústria automobilística prometeu aos seus funcionários que iria implementar pelo menos dez ideias sugeridas por eles ao longo de um ano e que cada sugestão teria uma resposta em, no máximo, dez dias. Isso fez com que os funcionários entrassem em uma competição saudável, pois todos queriam dar boas sugestões e, depois, levar o crédito pela implementação.
  • Um importante elemento de qualquer programa de sugestão é assegurar que os funcionários tenham acesso a dados importantes da empresa. Uma companhia de materiais para escritório divulga seus resultados financeiros, como vendas, crescimento, lucratividade e produtividade, no mural da cozinha, onde seus funcionários almoçam. E, uma vez por semana, o time de vendas faz uma reunião com todos os outros colaboradores para revisar o território e buscar ideias e sugestões de todos a fim de melhorar o atendimento aos clientes e aumentar os resultados.
  • Para encorajar a participação no programa de sugestões, uma empresa do ramo de seguros resolveu dar um incentivo: para cada sugestão dada, o funcionário receberia um pedaço de papel no formato de uma fatia de torta para colar em um desenho de uma torta inteira. Quando ele conseguisse os oito pedaços da torta, poderia então trocar por um vale-almoço ou um café da tarde com seus colegas.

Então, se você já possui um programa de sugestões na sua empresa, aproveite essas dicas para deixá-lo ainda mais eficiente e trazer mais resultados. Se ainda não tem, está na hora de começar a pensar nos seus funcionários como verdadeiros ativos da empresa, que podem ajudá-lo, até mesmo, a tomar as melhores decisões.

Um grande abraço e até a semana que vem.

Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br

P.S.: este artigo é uma versão editada da matéria originalmente publicada na revista Liderança. Para acessá-la na íntegra – www.lideraonline.com.br/artigo/50273-programas-de-sugestoes.html
 

Artigo da semana
Assim não pode ser: o fiasco da promoção Pepsi 

A ação de marketing realizada pela Pepsi nos dias 10 e 11 de setembro, oferecendo outro refrigerante grátis, tinha tudo para dar certo. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Embora a companhia insista em afirmar que o sucesso foi enorme e os objetivos atingidos, eles terão de se explicar ao PROCON.

Já há alguns meses, a empresa vem se utilizando de uma larga campanha publicitária, colocando a marca em evidência. Com o objetivo de gerar experimentação, os anúncios criaram o jargão “Pode ser?”, numa tentativa de mostrar ao consumidor que a segunda opção na lista de refrigerantes à base de cola pode ser tão boa quanto a primeira.

A promoção parecia ser a consagração para a marca. Mas os estoques, previstos para durar todo o final de semana, se esgotaram em poucas horas. Em alguns locais, só restou a insatisfação dos consumidores, os quais não encontravam nas gôndolas nem o primeiro refrigerante.

Não obstante a menção “enquanto durarem os estoques”, constante nos anúncios, ficou evidente a falta de planejamento com relação à demanda esperada. Em épocas de mídias sociais, a notícia se espalhou com grande rapidez e a falta do produto poderá comprometer os maciços investimentos realizados até o momento.

Casos como esse são mais comuns do que se imagina e ocorrem em empresas de diversos tamanhos, nos mais variados setores. Pressões para o cumprimento de objetivos, gerentes inexperientes, metas irreais, autopromoção e competição entre as áreas causam uma falta de visão integrada às gerências iniciais e médias, as quais, muitas vezes, não conseguem ou não têm tempo de avaliar todas as consequências. Vejamos as eventuais responsabilidades de cada área para o sucesso de uma promoção desse calibre.

O gerente de vendas teria como primeira tarefa estimar o volume de vendas geral, utilizando como parâmetros as informações trazidas pelos vendedores de campo, como o crescimento das vendas e as promoções similares realizadas no mercado. Com os números obtidos, uma reunião com a área de marketing, planejamento e produto, criaria alguns cenários, como: triplicar as vendas, dobrá-las ou aumentá-las em 50%. Talvez fosse interessante compartilhá-los com alguns varejistas, os quais poderiam auxiliar a calibrar os números com base em sua experiência.

Escolhido o cenário é hora de trazê-lo para dentro da operação da empresa, verificando a possibilidade de fabricá-lo. Há capacidade ociosa para produzir a quantidade excedente? Em quanto tempo essa demanda poderia ser atendida? Em caso negativo, valeria a pena subcontratar ou pagar horas extras? Decisão que caberia às gerências financeiras ou de produtos, verificando seus impactos na margem de contribuição e no lucro da companhia. Em paralelo, os fornecedores deveriam ser consultados, verificando a possibilidade de entrega extra de matéria-prima.

Definida a disponibilidade, é necessário coordenar a logística. Tarefa hercúlea, considerando a extensão territorial do país e a capilaridade do varejo. Uma vez entregue, entraria em campo a área de trade marketing, responsável pelas ações nos pontos de vendas. É ela que em conjunto com a área de vendas, definirá a quantidade prevista para cada loja. Carregar os produtos do estoque para as prateleiras, montar as chamadas ilhas, garantir que a promoção esteja correta e reportar eventuais quebras de estoque, são algumas de suas responsabilidades.

Como numa operação de guerra, a empresa deveria estar de prontidão caso algo saísse do controle. Diretores, gerentes, supervisores e analistas do fabricante visitariam as principais lojas. Em contato direto com os varejistas, os promotores de vendas e a área de logística trabalhariam evitando a quebra de estoques ou a falta de produtos, crucial numa promoção de curtíssima duração do tipo compre um e leve outro. 

Enfim, uma vez derramado o leite, o que fazer? Em muitas empresas há ainda a prática comum de tentar encontrar os culpados, o que de nada adianta para que problemas como esses não se repitam, apenas servindo para acirrar a questão da competição entre as áreas.

O mais importante seria realizar uma análise profunda do ocorrido, verificando eventuais falhas e lacunas, implementando ferramentas e processos, tomando-se, porém, o cuidado para não engessar a empresa. Fixação de metas conjuntas, rotação entre funções e departamentos, além de treinamentos que promovam aos envolvidos uma visão sistêmica da empresa podem também auxiliar.

Até o momento, tudo o que a empresa fez foi agradecer aos consumidores – muitos deles irados e dispensando o agradecimento – por terem contribuído para o que eles chamam de sucesso da promoção. E o mais imprevisível: a ação deverá ser repetida. Talvez uma tentativa de consolar os que não chegaram às gôndolas a tempo. 

Aos consumidores resta apenas esperar ou, quem sabe, continuar consumindo a marca líder.

Marcos Morita é mestre em administração de empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é também colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais. Contato: professor@marcosmorita.com.br / www.marcosmorita.com.br

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