Seu cliente é atendido por profissionais que entendem do assunto, gostam do que fazem e demonstram prazer ao atendê-lo?
publicado em 18/10/2011
Nada mais batido que algumas expressões sobre atendimentos diferenciados: “Aqui o cliente é rei!”, “Prazer em bem atender”, “Em nossa loja você não é apenas um número...”. No entanto, são muitas as histórias sobre clientes mal atendidos. Visite o site Reclame Aqui – www.reclameaqui.com.br – e verifique um ranking que eles disponibilizam com as empresas que deixam – e muito – a desejar quando o assunto é atender bem.
Quem não se lembra do Comandante Rolim e seu famoso tapete vermelho? Por muito tempo esse gesto representou a quintessência do bem servir, do prazer em atender o consumidor. Não era raro encontrar o presidente da TAM recepcionando os passageiros à porta de algum avião da companhia. Ações como essa fazem falta em tempos de massificação e crescimento a qualquer preço.
O consultor e palestrante Sergio Almeida, autor de diversos livros, faz duas observações intrigantes sobre a importância – ou não – que uma empresa realmente dá para a qualidade do atendimento a clientes:
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No estacionamento de sua empresa, quem dispõe de vagas protegidas contra a chuva, próximas da recepção e com identificação: a diretoria, o CEO ou o cliente?
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Faça um teste: peça para o dono e um cliente realizarem, ao mesmo tempo, uma ligação telefônica para a empresa. Ambos devem se identificar ao serem atendidos. Para quem a telefonista dará prioridade?
Preocupação com a qualidade do atendimento, o grau de prioridade destinado ao consumidor e o prazer em bem servir o cliente são características de empresas Small Giants ou candidatas a tal. Atendimento foi justamente o mandamento do Decálogo do Cliente (www.vendamais.com.br/decalogo) escolhido para análise no último encontro realizado pela comunidade Small Giants do Brasil.
A metodologia utilizada para análise do mandamento foi a de sempre: perguntas-chave sobre a importância do atendimento, sintomas da falta dele e o que é preciso fazer para a empresa ser percebida pelo bom atendimento. Tudo sempre debatido entre os participantes, que buscavam possíveis respostas e soluções para suas realidades.
O que acontece quando as empresas não são reconhecidas por terem o atendimento alinhado à sua missão, visão e valores? Aparecem estes sintomas:
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Falta de credibilidade.
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Perda de clientes.
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Redução de market share.
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Imagem negativa (redes sociais, YouTube).
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Redução de rentabilidade.
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Perda de respeito.
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Alto turnover.
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Queda do índice de recompra.
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Baixa aderência a processos.
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Desencantamento.
Por outro lado, quais seriam as vantagens de uma empresa ser percebida como excelente em atendimento ao cliente?
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Aumento no número de indicações.
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Maior visibilidade.
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Aumento no índice de fidelidade.
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Percepção positiva.
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Retenção de colaboradores.
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Maior faturamento.
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Aumento do share of mind.
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Maior participação de mercado.
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Melhores taxas de conversão.
Por fim, o que é preciso fazer para uma empresa ser reconhecida como uma organização que sempre oferece um excelente atendimento?
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Alinhar a história da empresa, seu propósito e sua estratégia com as técnicas de atendimento.
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Ter processos bem definidos.
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Integrar.
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Endomarketing.
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Supervisionar com feedback.
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Desenvolver planilhas com índices de desempenho.
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Desenvolver multiplicadores.
Como você pôde conferir, diferenciar-se por bem atender significa muito mais do que belas palavras/slogans citados no primeiro parágrafo desta matéria.
Para encerrar, proponho uma última reflexão: o que aconteceria se cada atual cliente de sua empresa passasse a indicá-la para ao menos uma pessoa e esta se tornasse um cliente fiel? Em quanto seu faturamento aumentaria? Qual o potencial de crescimento resultante para sua empresa? Mais importante ainda, qual seria o grau de satisfação de clientes, colaboradores, proprietários?
Empresas Small Giants sabem muito bem o resultado dessa pergunta. Afinal, cliente satisfeito indica, recomenda e volta sempre.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br
Artigo da semana
Sustentabilidade: o fim do planeta econômico!
Dias atrás uma pessoa indagou-me: há desenvolvimento social sem crescimento econômico? Acredito sinceramente que sim. Inclusive, creio que essa seja a única maneira para se chegar ao desenvolvimento social e ambiental. Sustentabilidade só será possível se a questão econômica não se sobrepuser às questões sociais e ambientais. Será preciso implodir o planeta econômico.
As empresas deverão promover um equilíbrio em relação ao tripé da sustentabilidade. Qual é a porcentagem de empresas que estão investindo nas questões sociais e ambientais, além das econômicas? Há equilíbrio do
Triple Bottom Line? Existe um objetivo maior que o de obter lucro para seus acionistas? Perguntas difíceis! Não podemos chamar uma empresa de sustentável ou socialmente responsável, se ela não tem equilibrado o seu tripé econômico, social e ambiental.
Sabemos que equilibrar balanças não é uma
expertise brasileira. Basta ver a distribuição de renda neste país. Sustentabilidade é qualidade de vida. É condição mínima para que as pessoas vivam dignamente. É preservar os bens naturais em benefício da humanidade. Portanto, e definitivamente, desenvolvimento social não é crescimento econômico. Para provar isso, basta olhar para os dois principais índices, o PIB – Produto Interno Bruto, que mede a riqueza de um país – e o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, que mede o quanto um país é, de fato, desenvolvido.
Somos o sétimo país mais rico do mundo! Nosso PIB cresceu 7,5% em 2010, a maior taxa desde 1985, e alcançou aproximadamente R$3,5 trilhões. Estamos ricos! Não é bem verdade. Se dividíssemos esses "trilhões" de reais por 190 milhões de brasileiros, daria o equivalente a 18.500 reais/ano, por brasileiro. Mas para onde vai todo esse dinheiro?
Sabe-se que 16 milhões de pessoas, 8,5% da população brasileira, vivem abaixo da linha da pobreza, com rendimento menor ou igual a R$70 por mês. Mal conseguem atender suas necessidades básicas, como comprar comida, por exemplo. Entretanto, desde 2000, o Brasil vem crescendo economicamente, saltando da 9ª para a 7ª colocação entre os países mais ricos.
Apesar dessa riqueza toda, o IDH em 2010 colocou o Brasil na posição 73ª entre 169 países. Longe dos 10 países mais desenvolvidos do mundo, como: Noruega, Austrália, Irlanda, Canadá e Suécia. O IDH combina três dimensões: expectativa de vida; acesso à escola e número de anos que irão estudar; e renda anual que permita a cada cidadão viver dignamente. É um índice claro e que nos ajuda a desviar o foco do crescimento da economia para políticas centradas em pessoas. Uma pena, mas desde 2001, quando o Brasil ficou na 69ª posição, não se viu nenhuma melhoria no índice de desenvolvimento brasileiro.
O pensamento econômico não pode continuar norteando a vida no planeta – muito menos no Brasil. O que é economicamente viável não pode ser fator determinante para as empresas continuarem a produzir seus bens e serviços para o conforto da vida moderna e a gerar lucro para seus acionistas. Como alertou Leonardo Boff em relação à crise terminal do capitalismo: “As pessoas no mundo não aceitam mais a lógica perversa da economia, encostamos nos limites da Terra, ocupamos, depredamos e exaurimos todo o planeta a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado”.
Portanto, sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável é muito mais que investir em práticas de gestão que não agridam o meio ambiente. Não basta apenas plantar árvores e separar o lixo. É um novo modelo de desenvolvimento. As empresas precisarão promover uma quebra de paradigma em relação ao modelo de desenvolvimento econômico de hoje. Como fazer? Esse é o desafio!
Backer Ribeiro é formado em relações públicas e doutorando em ciências da comunicação pela ECA/USP. Professor da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP/SP e professor conferencista da ECA/USP. É diretor da Communità, consultoria especializada em comunicação para a sustentabilidade.
Visite o site: www.communita.com.br E-mail: backer@communita.com.br
Para pensar
“Antes de começar, é preciso um plano e, depois de planejar, é preciso execução imediata”
Sêneca
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