Saber quem você é, o que quer da empresa e por quê
publicado em 09/11/2011
Nesta semana, reproduzi o editorial de Raúl Candeloro para a edição da revista Liderança do mês de novembro, sobre algumas funções fundamentais de liderança. Já estamos próximos do final do ano e acho que o artigo pode ser útil para o período de planejamento. Acompanhe:
“Há uma história que roda pela internet, sobre uma empresa com resultados ruins que avisa aos funcionários que foi descoberto o culpado por aquele desempenho fraco e que, no dia seguinte, esse culpado seria apresentado a todos. Na manhã do outro dia, as pessoas se reúnem no pátio da empresa e, uma por uma, são convidadas a entrar sozinhas numa sala, na qual há um espelho com uma placa onde se lê: ‘Aqui está o culpado’”.
Sempre achei a história péssima, sabe por quê? Porque os líderes da empresa nunca entram na sala. Nunca se olham no espelho. E são justamente os que mais precisariam acordar para a realidade. Pessoas em cargos de liderança terceirizam a culpa como se fossem gênios e a equipe um bando de retardados incompetentes. Caros líderes: desculpem-me, mas não é assim que funciona.
Um bom líder tem que fazer poucas coisas, mas que são fundamentais:
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Deixar claro qual é o objetivo a ser atingido (meta).
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Ajudar a estabelecer como esse objetivo será atingido (estratégia).
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Decidir quem é que vai jogar no time.
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Comunicar tanto a meta quanto a estratégia constantemente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 dias por mês. Incansavelmente, comunicar, comunicar, comunicar.
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Criar um ambiente de confiança mútua dentro do time.
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Cobrar resultados.
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Comemorar o sucesso e reconhecer a equipe.
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Aprender com os erros e tomar as providências necessárias para que não ocorram novamente.
Por isso, no Small Giants, falamos constantemente sobre liderança e a necessidade de equilíbrio e inteligência emocional do líder. A primeira grande característica de um Small Giant é que o líder da empresa sabe exatamente quem é, o que quer da empresa e por quê. E por isso estar claro, seus diretores, gerentes e supervisores também o sabem.
Ou seja, todo mundo tem um foco claro, organizado e objetivo. Quando isso acontece, os oito itens acima tornam-se óbvios, naturais. Mas, quando a pessoa tem questões pessoais mal resolvidas, invariavelmente encontramos um líder “travado” em várias questões.
O que acontece quando o dono da empresa não tem isso claro?
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Distanciamento da equipe.
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Produtividade baixa.
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Ineficiência.
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Desgaste.
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Desmotivação.
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Desarmonia.
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Desperdício de tempo.
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Problemas de qualidade.
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Problemas financeiros.
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Falta de reconhecimento.
Ou seja: são questões bem sérias e que deveriam ser discutidas abertamente numa empresa. Se o dono não é uma pessoa bem resolvida, acaba criando uma forma tortuosa de se comunicar com a equipe. A cultura da empresa é fortemente influenciada. Criam-se grupos/feudos. Não existe, de verdade, nenhuma prioridade a não ser tentar “acertar o que o dono vai gostar”. Por exemplo, é um sintoma sério de problemas quando o grupo se pergunta constantemente: “Como está o humor dele hoje?”.
Invariavelmente, uma equipe disfuncional tem um líder disfuncional. Sempre reforço nos workshops de liderança: “Se há uma pessoa na sua equipe com um problema, então a pessoa é o problema”. Se todos na equipe são um problema, então já não é mais problema da equipe – é do líder. Nesse caso, o que fazer?
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Ajude sua empresa a ter sucesso motivando todas as áreas, equipes e funcionários a alcançar metas que sejam importantes para eles também – e não só para você.
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Comemore as vitórias, mesmo as pequenas.
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Comunique-se de maneira aberta e consultiva com todos. Aceite críticas.
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Reconheça quem dá um passo a mais, quem se esforça, quem se compromete.
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Acredite que as pessoas podem criar e ter sucesso. Aprenda a delegar de maneira inteligente, com apoio e acompanhamento.
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Livre-se de corvos e vampiros energéticos.
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Seja humilde e aceite que pequenos gestos seus têm grande repercussão.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
www.lideraonline.com.br
Artigo da semana
Liderança: mais que um conceito
Como um líder consegue chegar ao topo de uma grande empresa? Por meio de sua inteligência, habilidade política ou através de sua audácia e criatividade? Todos esses requisitos são muito úteis, mas não chegam a ser essenciais quando comparados ao fator mais importante de todos: a capacidade de motivar, organizar e administrar equipes.
A maioria dos grandes profissionais ergueu seus impérios baseados em suas habilidades em formar times fora de série. Steve Jobs foi um gênio com toque de artista e ídolo pop, não apenas por causa de sua inteligência, audácia e criatividade, mas porque conseguiu formar equipes inigualáveis para desenvolver produtos revolucionários. Devido a seu temperamento dominante, obstinado e exigente ao extremo, foi demitido do negócio que ele próprio criou, mas começou tudo de novo: formou outra grande equipe em sua nova empresa, a NeXT, que foi incorporada pela Apple, para onde Jobs voltou mais tarde, reestruturando novamente o time de colaboradores e tornando-se o presidente da empresa mais valiosa do mundo.
Ele era um líder rigoroso, mas que sabia extrair o melhor das pessoas, pois dava o exemplo, mesmo quando seriamente doente, através do alto desempenho que exigia de si mesmo. Esse perfil de liderança, considerado por alguns como agressivo e, algumas vezes, obsessivo na busca da perfeição, serve de inspiração para quem busca a excelência. Os líderes precisam estar atentos não somente às qualificações expostas no currículo, como formação escolar e histórico profissional, mas às características estruturais da personalidade das pessoas, a começar por si.
Quer ser um comandante de destaque? Busque o autoconhecimento! Entenda quais são suas limitações, mas, principalmente, conheça seus principais talentos, invista neles e seja sincero consigo mesmo nessa análise. Não adianta querer ser um grande gestor se o seu relacionamento com a equipe é ruim, se você exige coisas que não conseguiria fazer, ou se é exigente com algumas pessoas e complacente com outras. O bom chefe é justo e sabe alocar seus funcionários onde eles rendem mais.
Dizem que ninguém é insubstituível. Eu acho que algumas pessoas, como Steve Jobs, são e farão muita falta. Se você gosta de encarar desafios e quer aprender a lidar bem com o poder, pratique a meritocracia e lidere pelo exemplo, não pelo discurso. O mundo precisa muito de líderes com atitudes assim!
Eduardo Ferraz é consultor em gestão de pessoas e especialista em treinamentos e consultorias
in company, com aplicações práticas da neurociência comportamental, possuindo mais de 30.000 horas de experiência prática. É pós-graduado em direção de empresas, especializado em coordenação e dinâmica de grupos, além de autor do livro
Por que a gente é do jeito que a gente é?, da Editora Gente.
Visite o site: www.eduardoferraz.com.br
Para pensar
“Um gênio é uma pessoa de talento que faz toda a lição de casa”
Thomas Edison
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