publicado em 20/12/2011
Paul Spiegelman, CEO da Beryl Companies e líder global da Comunidade Small Giants, a cada dois meses escreve uma coluna sobre gestão de pessoas para a revista Liderança. Neste mês, ofereceu algumas sugestões para incentivar equipes a trabalhar com paixão, produtividade, foco e lucratividade. Confira:
“Você já parou para pensar em como o churrasco de fim de ano da sua empresa impacta em sua lucratividade? E que tal uma nota manuscrita enviada a um empregado logo após ele ter perdido um ente querido? Ou os docinhos distribuídos para comemorar um acontecimento da empresa? Se você os fizer com consistência, esses sinais de apreciação ajudam a construir a lealdade dos seus colaboradores. Como presidente da Beryl, empresa especializada em gerenciar interações entre pacientes em hospitais, sempre procuro maneiras de lembrar meus funcionários do papel que eles desempenham para o nosso sucesso.
Se você quer que seus funcionários se interessem profundamente pela visão geral de sua empresa, trate-os como se fossem acionistas dela. Quando você cria um ambiente em que empregos são tratados como investimentos, empregados trabalham com paixão, com produtividade e com foco para aumentar a lucratividade da sua empresa.
Tive um grande exemplo disso no último outono. Um de nossos associados foi diagnosticado com câncer em estágio avançado. Seus colegas lhe deram todo o apoio, visitaram-no, levaram jantar para ele e estiveram sempre presentes em todos os momentos difíceis. Apesar de estar muito doente e se locomovendo em uma cadeira de rodas, ele participou da nossa festa de fim de ano.
Lá, recebeu a notícia de que, apesar de os resultados da empresa terem ficado abaixo da meta, todos receberiam os bônus prometidos, graças ao trabalho duro de cada um. Ele ficou tão emocionado e grato por estar trabalhando em uma empresa tão maravilhosa que me escreveu uma carta, sugerindo que déssemos a opção de os funcionários reinvestirem os bônus na própria empresa.
Esse é só um exemplo dos muitos que contribuíram para o crescimento da Beryl e para sua posição de líder no mercado, no quesito de baixo turnover – com índices abaixo de 20%.
Tratar empregados como acionistas não precisa custar caro. Na minha empresa, gastamos aproximadamente 7 mil dólares por empregado em recrutamento, orientação e treinamento inicial, mas anos de experiência mostram que o retorno desse investimento compensa. A maioria das estratégias efetivas para aumentar o comprometimento dos funcionários custa muito pouco ou, até mesmo, não custa nada. Veja alguns exemplos:
Seja transparente – Você ganhará a confiança de seus funcionários se divulgar a performance financeira da sua empresa com regularidade. Reuniões gerais são um modo efetivo de comunicar essas informações, pois permitem que todos façam perguntas. Se a empresa não estiver tão bem quanto o esperado, mencione isso e diga à equipe como eles podem ajudar a mudar esse quadro.
Compartilhe o sucesso da empresa – De clientes novos a prêmios conquistados, qualquer sucesso da empresa é um modo de aumentar o comprometimento de sua equipe. Depois de ganharmos um lugar na lista Melhores empresas para se trabalhar, celebramos alugando uma limusine e indo até a apresentação do prêmio com dez funcionários escolhidos pelos colegas para representar a empresa. Quando voltávamos para o hotel, um dos colaboradores virou para mim e disse: ‘Esse é o melhor dia da minha vida!’. O que isso significou para mim, como CEO? Eu me assegurei de que um funcionário que, frequentemente, produz os melhores resultados em seu trabalho não pensará em sair da empresa tão cedo. E o melhor de tudo: impactei a vida de alguém de forma positiva.
Invista no futuro de seus funcionários – Se você quiser que eles tenham um interesse genuíno no futuro da sua empresa, interesse-se pelos planos deles – no trabalho e em casa. Durante tempos de incerteza econômica, empresas geralmente fazem cortes em áreas como treinamentos e bônus salariais. Fazer isso é ter uma visão muito limitada. Quando há uma crise, você deve investir ainda mais nessas áreas. O treinamento faz que os empregados produzam de maneira melhor e, assim, tornem a empresa mais lucrativa. Isso também prova para os funcionários que a empresa acredita e investe neles. Por exemplo: para desenvolver a liderança em seus funcionários, a Southwest Airlines promove um treinamento cruzado, no qual, todos os anos, mais de 80% dos trabalhadores aprendem uma nova função.
Priorize a diversão – Quando a diversão é parte integrante do trabalho, funcionários passam a conhecer uns aos outros como pessoas reais. É por isso que o questionário de engajamento no trabalho da Reuters inclui a pergunta: ‘Você tem um melhor amigo no trabalho?’. Amizade gera satisfação, que gera produtividade. É por isso que, em minha empresa, criamos o Departamento de Grandes Pessoas e Diversão. Temos dias para trabalharmos de pijamas, dias para nos vestirmos como nos anos 70, e por aí vai. Essas ideias não são aplicáveis em todos os ambientes de trabalho, mas a questão-chave é fazer algo divertido regularmente, não importa o quão pequena seja essa ação.
Foque as coisas com as quais os funcionários mais se importam – E não é só salário. Existem pequenas coisas que uma empresa pode fazer para cativar um funcionário, como resolver alguns problemas para ele, principalmente quando se trata de assuntos familiares. Algumas empresas resolvem isso criando creches em seus próprios ambientes de trabalho. Em minha empresa, temos eventos anuais como o ‘café da manhã com o Papai Noel’ e nosso jornal interno é feito para ser lido também pela família dos colaboradores, inclusive com seções para crianças. Com isso, não precisamos oferecer um salário maior do que o de nossos concorrentes para termos a liderança do nosso segmento de mercado. Ofereça o que o dinheiro não compra, ofereça atenção!”
Um grande abraço, um feliz Natal e até a semana que vem.
Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
julio@editoraquantum.com.br
Você sabe controlar o seu termostato mental?
Pequenos sucessos – como um elogio público do chefe – produzem uma sensação de alegria e situações desagradáveis – como ser repreendido – causam períodos de mal-estar. No entanto, o nível geral de satisfação ou insatisfação, acaba voltado para uma linha de referência padrão, que varia de pessoa para pessoa.
Isso vale para um novo relacionamento, para um aumento de salário ou para uma aquisição importante. Qual é a sua sensação após comprar um carro: êxtase, prazer, orgulho? E quanto tempo dura essa euforia? Para algumas pessoas, dura dias e, para outras, dura semanas. Da mesma forma, um desentendimento com um colega ou uma briga no trânsito pode deixá-lo de péssimo humor por um determinado período, que pode ser longo ou curto.
Isso acontece porque temos um “termostato mental” que, automaticamente, regula a sensação de felicidade ou de infelicidade, para um patamar relativamente constante. Os psicólogos chamam esse processo de "adaptação sensorial". Essa tendência de sempre voltar para o mesmo nível de satisfação não se limita a acontecimentos rotineiros, acontece mesmo sob condições mais extremas de sucesso ou de sofrimento. Uma superpromoção ou uma demissão inesperada deixaria qualquer um feliz ou arrasado. Seu termostato mental (sua configuração sináptica), porém, vai levá-lo de volta ao mesmo patamar de antes, no máximo em alguns meses.
Isso quer dizer que há pessoas “mentalmente programadas” para sentirem-se insatisfeitas, independentemente do que aconteça na vida, bem como há pessoas que têm um modo de encarar a vida de maneira quase sempre positiva.
Qualquer que seja o nível de felicidade conferido por sua configuração cerebral, sempre haverá a oportunidade de aumentar a sensação de bem-estar, pois esta é, em grande parte, determinada pelo modo como você reage às situações boas ou ruins.
Para isso, sugiro três passos básicos:
Desse modo, ficará mais fácil controlar suas reações negativas, bem como aumentar sua sensação de bem-estar.
Eduardo Ferraz é consultor em gestão de pessoas e especialista em treinamentos e consultorias in company, com aplicações práticas da neurociência comportamental. É pós-graduado em direção de empresas, especializado em coordenação e dinâmica de grupos e autor do livro Por que a gente é do jeito que a gente é?, da Editora Gente. Para mais informações, acesse: www.eduardoferraz.com.br
“A verdadeira finalidade de toda vida humana é a diversão”
G. K. Chesterton
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