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Revista Liderança | Gestão, Pessoas & Atitudes

Volkswagen desliga e-mail de BlackBerry depois do expediente

publicado em 03/01/2012

Em decisão inédita, pelo menos em empresas de grande porte, a Volkswagen alemã decidiu, por meio de seu poderoso conselho de trabalhadores, que o servidor de e-mail da companhia deixará de encaminhar mensagens aos funcionários 30 minutos depois do fim de seus turnos e só retomará os envios 30 minutos antes do início do turno do dia seguinte. A restrição ocorreu em meio a preocupações com a perda de distinção entre o local de trabalho e o lar.

Essa notícia foi divulgada originalmente em matéria do jornalista Chris Bryant para o jornal inglês Financial Times e traduzida por Paulo Migliacci para publicação na Folha de São Paulo. A seguir, reproduzo a matéria:

“O dia de trabalho acabou e o feriado de Natal já começou oficialmente, mas o piscar da luz vermelha ou a vibração de um BlackBerry continuam irritantemente difíceis de ignorar. Irritado com a perda de distinção entre o local de trabalho e o lar, o poderoso conselho de trabalhadores da Volkswagen na Alemanha fechou acordo com os executivos da empresa no sentido de que os funcionários que usam BlackBerry da companhia e cujos salários são regidos pelo contrato coletivo de trabalho entre a montadora e o sindicato estarão sujeitos a novas restrições quanto ao uso de e-mail.

Portanto, daqui por diante, o servidor de e-mail da Volks deixará de encaminhar mensagens aos funcionários da empresa 30 minutos depois do final de seus turnos e só retomará a atividade em cada conta 30 minutos antes do início do turno do dia seguinte.

O acordo deve afetar mais de mil funcionários da Volkswagen que estão equipados com BlackBerry fornecidos pela companhia. ‘As novas possibilidades de comunicação também acarretam perigos inerentes’, afirmou Heinz-Joachim Thust, do conselho de trabalhadores da Volkswagen, ao jornal Wolfsburger Allgemeine Zeitung.

Um porta-voz do conselho dos trabalhadores confirmou a existência do acordo sobre o BlackBerry, mas explicou que a regra não se aplica a executivos importantes ou outros trabalhadores que não se enquadrem aos contratos coletivos negociados pelo sindicato.

O conselho de trabalhadores solicitou a restrição em resposta à tendência de que o pessoal equipado com o BlackBerry seja contatado a qualquer hora do dia ou da noite e em meio a uma crescente conscientização, na Alemanha, quanto aos riscos do desgaste do trabalhador.

VícioÍCIO

O BlackBerry começou a vida como brinquedo para executivos, mas depois se tornou parte fixa na vida empresarial. O seu poder viciador é visto como tão grande que ele logo ganhou o apelido de ‘CrackBerry’. Mas os trabalhadores que usam esses aparelhos fornecidos pela companhia têm de trocar as vantagens que oferecem pelo inconveniente de os tornar sempre disponíveis.

O conselho de trabalhadores afirmou que as reações às novas regras de e-mail, adotadas alguns meses atrás, até o momento foram positivas. Os trabalhadores podem continuar usando seus BlackBerrys para telefonar a qualquer hora. Thust não respondeu de imediato a um e-mail solicitando seu comentário. Não se sabe se seu BlackBerry estava desligado.”

O que você acha dessa decisão? Ela é passível de ser praticada pelas empresas brasileiras, não importando o tamanho delas? Envie-me sua opinião a respeito (julio@editoraquantum.com.br). As melhores ideias serão publicadas na edição de março da revista Liderança.

Um grande abraço e até a semana que vem.

Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
julio@editoraquantum.com.br

ARTIGO DA SEMANA

Sorriso rentável – o sucesso das empresas depende da felicidade dos funcionários no trabalho

As razões que levam as pessoas ao mercado de trabalho vão muito além da garantia de um contracheque no fim do mês. Todos nós estamos em busca de um propósito, de um significado para aquilo que fazemos todos os dias. Queremos ser relevantes, fazer a diferença, contribuir para um bem maior.

As pessoas passam muito tempo no trabalho e, com o advento da mobilidade e da conectividade, fica muito difícil definir a fronteira que separa o corporativo do privado.

Se em um passado recente a felicidade dos funcionários era um tema que pouco importava para muitas organizações, hoje, com os ambientes de trabalho cada vez mais complexos e desafiadores e com a crescente competitividade e a acirrada disputa por talentos, ela se tornou pauta obrigatória nas mesas dos departamentos de RH e nas dos diretores e dos presidentes de empresas.

Não há outro caminho, só irão se sobressair nesse cenário as companhias que contarem com equipes de alta performance, trabalhando de forma alinhada e coesa. Dessa forma, temos a missão de conciliar as aspirações pessoais dos nossos funcionários com os objetivos e as metas organizacionais, além de proporcionar ambientes de trabalho positivos, que fomentem a criação de relações de confiança e de cooperação.

Na Serasa Experian, há muito não falamos mais de gestão do clima organizacional, pois acreditamos que esse conceito deixa de lado justamente o propósito e o significado que as pessoas encontram naquilo que fazem todos os dias. Falamos em felicidade e colocamos nosso discurso em prática.

Há 18 meses implementamos uma metodologia desenvolvida na própria empresa e que nos permite mensurar a felicidade dos profissionais em três esferas: na organização como um todo, na área em que atuam e na relação com o líder ao qual respondem.

A pesquisa é aplicada em uma amostra da população de colaboradores. Trimestralmente, 50% da empresa é convidada a participar, respondendo a um questionário extremamente objetivo. São apenas três perguntas, às quais os funcionários atribuem uma nota de zero a dez. O diferencial reside na análise qualitativa: caso queiram, as pessoas podem comentar as suas respostas e isso tem nos permitido evoluir muito na gestão do ambiente de trabalho, endereçando e corrigindo rapidamente quaisquer desvios e também investindo mais naquilo que está dando certo.

Os resultados têm sido bastante positivos. A média geral da felicidade na empresa passa de oito, em uma escala de zero a dez, e tem se mantido estável desde a primeira edição da pesquisa. A adesão também é alta, sempre ultrapassando os 50% de participação, fruto das ações realizadas em decorrência das pesquisas e que as pessoas percebem no dia a dia.

Mas isso só é possível com o apoio das lideranças. É papel dos líderes – sejam eles líderes de um pequeno time ou de uma grande organização multinacional – envolver as pessoas e fazer com que, de fato, elas se sintam parte da organização. Não há desempenho diferenciado em times desengajados ou desmotivados. Por outro lado, pessoas felizes são mais dedicadas, mais criativas, demonstram maior resiliência, têm mais energia e se mantêm produtivas por muito mais tempo. Existe uma relação direta e comprovada entre a felicidade dos profissionais, a satisfação dos clientes e os resultados do negócio.

Felicidade é uma questão subjetiva e, como tal, permite diferentes interpretações. No contexto corporativo, felicidade não é a ausência de tristeza ou de dificuldades, nem um estado de otimismo exacerbado, mas a existência de processos capazes de criar valor para todos os públicos com os quais a empresa interage. É a existência de uma visão clara e realista do presente e, por que não, uma visão otimista do futuro que pretendemos conquistar tanto individual como coletivamente. Além disso, a felicidade é o respeito e a valorização das pessoas, a excelência no atendimento ao cliente e a consciência de que a responsabilidade social deve permear todos os processos da organização.

Em última instância, empresas que apoiem os profissionais na descoberta de suas potencialidades e os desafiem constantemente, proporcionando oportunidades para que possam se desenvolver e os ajudando a entender a importância e o impacto de seus trabalhos são as que irão dispor de times apaixonados pelo que fazem e com energia suficiente para levá-las ao próximo patamar, seja ele qual for.

Hoje, estamos convictos de que não existe forma mais clara e objetiva de preservar a confiança e de dar sentido ao trabalho do que enfatizar que buscamos a felicidade dos nossos profissionais no trabalho e, acima de tudo, colocar esse discurso em prática.

Marília Silvério é gerente corporativa de comunicação interna e cultura organizacional da Serasa Experian. Para mais informações, visite o site: www.experianplc.com

PARA PENSAR

Esta é uma regra simples, mas poderosa: sempre dê às pessoas mais do que elas esperam”
Nelson Boswell

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