publicado em 24/01/2012
Um dos primeiros sinais universais de que se está envelhecendo é a reclamação sobre a música ouvida pela nova geração: “No meu tempo é que a música era boa”.
Então, como é que um festival de música consegue unir diferentes gerações e diferentes gostos musicais, como acontece com o Rock in Rio? Como consegue atrair, ao mesmo tempo, adolescentes que curtem a cena pop, indivíduos que curtem música eletrônica e metaleiros cinquentões? E, o mais impressionante: como é que o Rock in Rio consegue vender ingressos para a edição de 2013, antes mesmo de anunciar qualquer atração musical (sendo que, conhecendo a dinâmica do mundo da música, possivelmente algumas das bandas que tocarão em 2013 ainda nem existam)?
Elaine Pinto, produtora cultural e autora de Estudo de caso – Por um mundo melhor: o Rock in Rio e a reconfiguração das identidades juvenis na pós-modernidade dá algumas pistas para o fenômeno: “A marca Rock in Rio adquiriu muita força ao longo desses quase 27 anos de existência. Apesar de ter sido criado como uma forma, até então, alternativa de campanha publicitária, o evento acabou ganhando uma identidade própria, atraindo grandes anunciantes”. Assim, começa-se a explicar a força da conexão da marca Rock in Rio:
No entanto, isso tudo não é suficiente se você não se conectar primeiro com o que faz. É preciso se esforçar para fazer seu trabalho cada vez melhor, como enfatiza Elaine Pinto: “A grande lição que o Rock in Rio passa, como empresa de sucesso no ramo do entretenimento, é a de estar sempre reparando as falhas. Desde a primeira realização, as edições vêm sendo reavaliadas e constantemente adaptadas às necessidades de produção, de espaço, de público, etc., entrando em conformidade com os padrões estabelecidos para eventos de grande porte. É dessa forma que o festival vem preenchendo os requisitos que o tornaram uma das produções mais conhecidas e respeitadas em todo o mundo”, finaliza.
E a sua empresa? O que tem feito para se conectar com o público?
Um grande abraço e até a semana que vem.
Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
julio@editoraquantum.com.br
P.S.: Esta matéria é uma edição da versão original publicada na revista Liderança de janeiro de 2012, de autoria de Brasílio Andrade Neto.
Acompanhamos, nestas semanas sem grandes furos jornalísticos, o caso da aposentadoria do goleiro Marcos, ídolo do Palmeiras e campeão mundial pela Seleção Brasileira em 2002. Sem grandes pompas e com seu discurso direto e muitas vezes simplório, o ídolo alviverde pendurou definitivamente suas luvas. Apesar da repercussão do futebol em nosso País, poucos jogadores atingem tamanha identidade com os torcedores.
Como apreciador moderado desse esporte, posso citar atletas como Rogério Ceni, Dinamite, Zico e Pelé, cujos nomes se associam diretamente aos times com os quais atuam ou atuaram. Com grande movimentação entre equipes, jogadores trocam de camisa diversas vezes, priorizando sua imagem, sua carreira e os ganhos aos clubes que os contratam.
Situação similar ocorre no mundo corporativo, tornando-se cada vez mais difícil encontrar pessoas que tenham dedicado sua vida a uma só empresa, em função tanto da maior oferta quanto da competitividade do mercado, que exige colaboradores cada vez mais bem preparados. Com base na história de Marcos e na nova realidade corporativa, classifiquei os profissionais em quatro tipos, assim como o legado deixado por eles às empresas:
Os eternos: assim como o goleiro Marcos, são pessoas que marcaram a história da corporação, seja pela posição na qual atuaram, seja por seu legado, seja por sua lealdade. Homenagens póstumas, tais como fotos em galerias, além de prédios, salas de reuniões, produtos, serviços, métodos e processos com seus nomes são alguns exemplos da influência dessas pessoas. Preste atenção e procure saber um pouco sobre as biografias dos eternos em sua empresa – talvez elas possam servir como fonte de motivação e inspiração.
Os bem-lembrados: nem tão famosos quanto os anteriores, são lembrados como pessoas com as quais trabalhamos, dentro ou fora da empresa, tais como clientes e fornecedores. É comum terem seus nomes citados em situações ou momentos de dificuldade nos quais sua presença e ação poderiam fazer a diferença. Muitas vezes, mantêm contato com os ex-colegas e parceiros, não sendo raro retornarem à organização.
Os não lembrados: diferentemente dos anteriores, sua ausência não é sentida pelos outros colaboradores, nem em curto nem em médio prazo. Seja pelo pouco tempo que permaneceram na função, seja pela ausência de resultados positivos, são praticamente esquecidos pelas pessoas e pelas organizações. As frases mais comuns em relação a eles são: “Quem?” ou “Não me lembro”.
Os “nem me fale”: comuns na política em geral, no Congresso e, ultimamente, na Esplanada dos Ministérios, são citados por fatos ou atitudes não memoráveis, tais como resultados muito abaixo do esperado, falta de ética ou confusões de qualquer espécie. Em geral demitidos por justa causa, acabam sendo lembrados pelo que não deveriam ter feito. Até por essa razão, seus nomes, quando citados, são ditos em voz baixa.
Vale salientar que um profissional, assim como um jogador, poderá ser classificado em mais de uma dessas categorias durante sua carreira. Enfim, sugiro que você faça uma análise de sua carreira, avaliando as empresas pelas quais passou, assim como a imagem que deixou. Tornar-se eterno é fato para poucos; assim, ser bem lembrado por todos deve ser o seu grande objetivo, apesar dos eventuais escorregões na vida profissional.
Uma dica praticamente infalível: torne-se um profissional raro, ou seja, cultive relacionamentos, tenha atitudes positivas, traga resultados e, é claro, aproveite as oportunidades e esteja preparado para elas. Quanto à categoria “nem me fale”, é melhor nem comentar.
Marcos Morita é mestre em administração de empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. E-mail: professor@marcosmorita.com.br Site: www.marcosmorita.com.br
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Pedro Bial, Rede Globo
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