publicado em 31/01/2012
Raúl Candeloro, fundador das revistas Liderança e VendaMais, elaborou uma ferramenta que pode lhe ser muito útil neste começo de ano para desenvolver as lideranças da sua empresa. Chama-se Roda da Liderança e é composta por dez habilidades essenciais para ser um bom líder.
A ideia é que essa ferramenta ajude você e sua equipe a mapearem suas competências, buscando pontos de melhoria e aperfeiçoando práticas entre a equipe. Numa escala de 0 a 10, cada líder deve se autoavaliar, justificando sua nota. Depois de completada a roda, escolhe-se um ou dois pontos prioritários para desenvolver como “tarefa de casa” de cada um dos envolvidos.
E quais são esses dez pontos?
Ao responder a essas perguntas simples, porém bastante objetivas, você terá um excelente mapa de situações a melhorar. Dessa forma, cada líder saberá exatamente onde está e o que precisa aprimorar para alcançar uma graduação melhor.
Como a proposta é autoavaliativa e autoexplicativa, fica fácil estabelecer planos de melhorias, pois o próprio avaliado define o que precisa melhorar e como fazer isso. Você pode aplicá-la agora mesmo e, caso precise de ajuda, é só avisar – esse é um workshop de quatro a seis horas que o Raúl tem pronto para lhe apresentar sempre que for necessário.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
julio@editoraquantum.com.br
Neste mês de janeiro, fomos surpreendidos com notícias sobre o naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, que colidiu com uma rocha nas proximidades da ilha de Giglio, na costa italiana da Toscana. Mais de 4 mil pessoas estavam a bordo. Até a manhã de segunda-feira (16), havia 6 mortes confirmadas e outras 16 pessoas seguiam desaparecidas: 10 turistas e 6 tripulantes.
Segundo as primeiras informações, o navio, que tem 290 metros de comprimento e 114,5 mil toneladas, margeava a ilha quando bateu em uma rocha e começou a adernar. Houve luta por coletes salva-vidas e pânico entre os passageiros, que reclamaram do despreparo da tripulação. O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, foi acusado de ter abandonado o navio. Ele nega, mas a empresa responsável pela embarcação confirmou a negligência.
Ao rever alguns pontos desse fato, não pude deixar de compará-lo com o mundo corporativo. Afinal, algumas falhas estão, pelo menos neste momento, evidentes: negligência operacional, pois havia manual interno de navegação, mapa náutico com a rota a ser seguida e equipe treinada para evacuação do navio. O fato de as normas não terem sido seguidas, além do perigo evidente, pode trazer danos à imagem e à reputação da empresa, entre outros.
Quantas vezes não vimos no mundo corporativo os mesmos problemas, como desrespeito às normas, negligência às regras internas e externas e falta de capacitação da equipe no gerenciamento de crises? Quando as pessoas não dão a devida atenção aos treinamentos, as falhas acontecem, pois ficam todos sem saber o que fazer.
Soberba, por acharem que sabem mais do que as normas e os procedimentos que direcionam ou orientam, falta de preparo em não avaliar os riscos inerentes à atividade, e no caso do comandante, que deveria orientar a evacuação e gerenciar a crise – vale a pena salientar, causada por ele mesmo – e foi um dos primeiros a abandonar o navio demonstram o total despreparo da equipe para lidar com a situação.
Portanto, devemos avaliar melhor os nossos processos de gestão de riscos e controles internos; saber se os profissionais indicados estão devidamente preparados para o gerenciamento de crises e se existem desvios normativos, que, nesses casos, são mais fáceis de identificar.
As crises acontecem porque as pessoas sempre cometem desvio de conduta e de procedimentos, por acharem que estão acima das regras de compliance, e a imagem e a reputação ficam totalmente expostas.
Profissionalismo não se compra no mercado, se conquista. Podemos moldar o perfil de nosso profissional na busca pela excelência, pelo respeito às regras e normas e comprometimento com a empresa. Afinal, o risco de denegrir imagem e reputação aparece quando alguém não faz a sua parte, e não sabemos qual é o impacto financeiro causado pela falha operacional.
Você, que está com um pacote de cruzeiro comprado, o que pensa neste momento? “Será que acontecerá o mesmo comigo? Qual é a probabilidade de acontecer de novo?”.
Será que a sua empresa não é um Titanic operacional? Pense nisso.
Marcos Assi é professor e coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, e autor do livro Controles internos e cultura organizacional – Como consolidar a confiança na gestão dos negócios, da Saint Paul Editora. Consultor de governança, riscos financeiros e compliance da Daryus Consultoria.
“Aqueles que mais demoram a fazer uma promessa são os mais fiéis na hora de cumpri-la”
Jean-Jacques Rousseau
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