publicado em 15/02/2012
“Já tomou café, meu filho?”. Foi com essas palavras que “seu” Mário me recebeu, pontualmente, às sete da manhã de um dos muitos dias movimentados na sede da Gazin, rede varejista de móveis e eletrodomésticos com 168 lojas espalhadas por nove estados brasileiros e sede em Douradina (PR). Pensei que o encontraria em sua sala, como acontece com a maioria dos presidentes e CEOs que entrevisto. Mas esse não é o perfil de “seu” Mário. Ele ocupa uma das dezenas de mesas de um imenso salão que divide com muitos outros colaboradores.
O empresário começou a trabalhar quando ainda era muito novo. Foi sapateiro, motorista e padeiro, mas na ocupação de vendedor é que Mário Gazin deu início à sua longa e bem-sucedida caminhada. “A Gazin foi fundada em 1966, quando, em sociedade com meu pai, comprei a loja na qual trabalhava como vendedor”, conta. Hoje, 45 anos depois, o grupo é formado por um atacado, quatro indústrias de colchão e estofados, dez centros de distribuição, entre outros empreendimentos – todos comportando mais de 5 mil colaboradores. Ele não conhece todos os funcionários pelo nome, mas faz questão de ouvi-los sempre e, enquanto me apresentava às unidades do grupo, era seguidamente parado para uma rápida conversa assim que ouvia um chamado de “Seu Mário". O faturamento do grupo já se aproxima dos 2 bilhões de reais – em 2010, totalizou 1,6 bilhão.
Pergunto a ele a que se deve seu sucesso. “Confiança, arrojo, trabalho em equipe e relacionamento”, responde. “Devo também a meus compadres!”, acrescenta. Aliás, relacionamento é a palavra que define o DNA da empresa e de seu presidente. A Gazin tem dezenas de programas que envolvem tanto os colaboradores quanto seus fornecedores e até a comunidade. Confira alguns deles:
É também costume, todas as manhãs, uma oração ecumênica, na chamada Reunião do Bom-Dia. Participei de uma e percebi uma forte troca de energia, de cumplicidade e de afeto, finalizada com todos se saudando e se abraçando. E isso se repete em cada filial da Gazin, Brasil afora. Há também a Viagem com o Patrão: a empresa presenteia setores e/ou grupos de colaboradores que se destacaram pelo seu desempenho durante o ano com uma viagem na companhia do fundador.
Tudo em Mário Gazin é diferente e único. Quando lutava para atingir um faturamento de 10 milhões de reais, resolveu estampar em cuecas e calcinhas esse valor e distribuí-las a todos os colaboradores com os quais contava na época. Nunca mais pôde deixar de fazer isso, pois o ato se tornou uma tradição no grupo. Uma vez, tentou mudar usando lencinhos, mas não causou o mesmo impacto. A cada ano, todos esperam receber suas “roupas íntimas” com a meta da vez. É comum, também, vez ou outra, uma bombinha dessas de festa junina estourar no meio de algum departamento – é “seu” Mário chegando para uma visita e já quebrando a formalidade. Todos gostam disso e se divertem. Também é comum encontrá-lo descarregando algum caminhão de fornecedor.
A Gazin cresceu seguindo a trilha de migrantes do Sul. A cidade de Douradina já foi um centro de cultura de café, muito importante na década de 1970, quando chegou a contabilizar cerca de 30 mil habitantes. Passada essa época, seus habitantes se mudaram para Mato Grosso do Sul, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins, entre outros estados mais afeitos à lavoura da soja. É a essa migração de seus “compadres” – como o empreendedor faz sempre questão de lembrar – que a Gazin deve parte de seu desenvolvimento. “Muitos deles me telefonavam e diziam: ‘Compadre, monta uma loja aqui, que vai dar certo!’, e lá ia eu”, conta o empreendedor. “Como as distâncias eram grandes, construía mais uma loja no meio do caminho”, completa.
Nem sempre a estratégia dava certo, mas o espírito empreendedor não o permitia desistir. “Nunca deixei de tentar. E não me deixava abalar por um insucesso”, afirma. Mário Gazin não se considera bem-sucedido, e sim um criador de valor. Hoje, muitos de seus fornecedores – e não são poucos – já foram seus funcionários, e ele tem muito orgulho disso. Com a mudança da cultura cafeeira e a fuga de seus habitantes, Douradina viu-se reduzida a parcos 4 mil habitantes, mas sobreviveu com o crescimento da Gazin. Atualmente, a cidade conta com pouco mais de 8 mil moradores, sendo que metade deles, de alguma forma, relaciona-se com o grupo.
Há oito anos consecutivos a rede é reconhecida como uma das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Em 2010, ficou entre as 50 melhores em toda a América Latina, segundo os critérios do instituto Great Place to Work. Entre as organizações mais procuradas para se conseguir um bom emprego, é a sétima colocada, segundo o mesmo instituto.
Não raramente, Mário Gazin faz viagens que duram duas semanas, quando visita cerca de 50 cidades e encontra gerentes e funcionários. Sempre realiza palestras, nas quais procura transmitir suas experiências e novos conhecimentos, frutos de eventos e seminários de que participa. Faz questão de dividir com todos tudo o que lhe é valoroso. Esse é o espírito do empresário que dá ao Grupo Gazin um DNA único e especial.
Voltando ao início desta matéria, quando ele me perguntou se eu já havia tomado café: tendo sido “Não” minha resposta, “seu” Mário conduziu-me à sua casa, esquentou leite, passou o café, ofereceu-me pães, manteiga, queijo e presunto e até descascou um mamão para mim.
Foi um dia em que aprendi muita coisa. Obrigado, “seu” Mário.
P.S.: esta entrevista foi publicada na revista Liderança deste mês – Fevereiro/2012
Júlio Clebsch
Editor da revista Liderança
julio@editoraquantum.com.br
Sou apaixonado pela área de desenvolvimento humano e um questionamento sempre insistiu em ocupar meu pensamento: “Por que as pessoas não utilizam todo seu potencial? O que as impede de atingirem seus objetivos?”.
Era muito simplório acreditar que as pessoas não tinham recursos ou motivos para não chegar lá, pois conheci muitas delas com possibilidades infinitas de serem bem-sucedidas em suas vidas e que, mesmo assim, fracassaram. Pessoas que transbordavam um potencial sem tamanho, deixando muito claro que o problema não estava no potencial, mas, sim, na capacidade de explorar tudo isso.
Foi então que identifiquei que o processo de desenvolvimento humano tem três fases: consciência, ação e disciplina. As pessoas fervem de tanta consciência do que precisam fazer. Algumas entram em ação, o que já é um grande diferencial, mas isso não garante o sucesso. O êxito está na capacidade de disciplinar-se rumo aos objetivos. Isso é autogestão!
Eu tenho estudado muito sobre disciplina e notei que existem alguns fatores que inibem esse comportamento, impedindo-o de entrar em ação:
Avalie todos os pontos citados e descubra o que o impede de seguir em frente. Eu desejo que você se discipline e conquiste seus objetivos!
Alexandre Prates é especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional. É também master coach, palestrante e autor do livro A reinvenção do profissional – Tendências comportamentais do profissional do futuro e da metodologia de coaching Inteligência Potencial.
“Você não pode confiar em seus olhos quando sua imaginação está fora de foco”
Mark Twain
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